Sara Barradas Chora ao lembrar avô: “Deixou o vazio da única figura paterna que tive”

O avô de Sara Barradas partiu há 13 anos e a atriz revela que foi um momento muito, muito difícil. “É um grande vazio que não é possível colmatar”.

Sara Barradas, protagonista de Destino Maior, esteve à conversa com Daniel Oliveira no Alta Definição. Entre a nova novela, a maternidade e a relação de longa data com José Raposo, a atriz mostrou-se aberta como raramente se vê.

A grande novela da SIC estreia esta segunda-feira, dia 14, com Sara Barradas a assumir o papel principal num contrato de luxo com a estação. Sobre a personagem, a atriz não escondeu o entusiasmo. “O drama desta personagem é uma coisa que me alicia”, confessou.

Na conversa, a atriz falou também sobre a chegada da filha, Lua, atualmente com sete anos, e sobre o impacto que a maternidade teve na sua forma de ver o mundo. Garante que crescer enquanto mulher e enquanto pessoa passou, em grande parte, por este processo, ainda que o maior desafio continue a ser educar um novo ser humano e aceitar que, eventualmente, terá de “deixar ir”. “A Lua só tem sete anos, mas já tenho pesadelos a pensar nisso”.

Sobre a decisão de ser mãe ao lado de José Raposo, Sara recordou o momento em que percebeu que ele seria o pai certo para os seus filhos. “Se é boa pessoa, associei logo que seria um bom pai”, partilhou.

A conversa trouxe ainda à tona o início da relação entre os dois, marcada por uma diferença de idade que gerou preconceito à sua volta. Sara tinha 20 anos e José Raposo 47 quando se conheceram, e a atriz recorda bem o efeito que ele teve em si desde o primeiro momento. “Desconcertou-me logo, o toque, o cheiro”, confessou, acrescentando que a diferença etária nunca foi motivo de perturbação entre o casal. “Sabíamos que ia ser uma coisa com a qual tínhamos de lidar, mas nunca me perturbou”.

Vivido de forma discreta durante algum tempo, o namoro acabou por se tornar público, altura em que o casal enfrentou julgamentos. Ainda assim, Sara garante que nada disso abalou a relação. “Não estávamos a fazer mal a ninguém, só queríamos que nos deixassem viver em paz o nosso amor”, afirmou. Há 15 anos, decidiram casar, e o desejo de serem pais tornou-se, a partir daí, uma certeza para os dois.

Uma infância marcada pela tristeza e transformada pela representação

A conversa levou ainda Sara Barradas a recuar até à infância, um período que descreve como difícil e cheio de preocupações. Foi aos 11 anos, quando entrou para o elenco da novela Amanhecer, que a atriz sentiu, pela primeira vez, um verdadeiro alívio. A representação tornou-se um escape e, aos poucos, deu espaço a uma alegria que até então estava escondida.

Emocionada, Sara Barradas confessou ainda como via a sua identidade nessa fase da vida: “Senti sempre que não conseguia ser quem eu era”. Apesar de tudo, a atriz não vê essas memórias como algo a apagar. “São marcas que nos ficam e isso torna-nos as pessoas que somos e não é de todo uma coisa que eu queira apagar ou esquecer”, concluiu.

A morte do avô

O avô partiu em 2013 e Sara Barradas recorda-o com muitas saudades. “Eu estava lá quando ele morreu e essa foi a melhor despedida”, garantiu.

“Já estava hospitalizado e naquela noite decidi ir. Pouco depois de eu chegar, morreu”, relembrou, com muitas lágrimas.

“Era de poucas palavras, mas tinha sempre uma lágrima no canto do olho. Era maravilhoso. Emocionava-se por tudo e por nada, via as netas e éramos o seu orgulho. Isso dizia tudo”, recordou.

“Deixou o vazio da única figura paterna que tive. É um grande vazio que não é possível colmatar. Aprendemos a viver com esse vazio e com essa ausência”.

Texto: Tomás Cascão; Fotos: SIC e Arquivo Impala

 

Notícia www.novagente.pt

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