Sara Avelar “Sou carente, preciso muito de ser amada”
Aos 45 anos, é uma mulher mais resolvida, mais tranquila, mas com feridas que nunca sararam. Teve tudo na infância. Ou quase tudo, porque lhe faltaram beijos e abraços.
Os mesmos que distribui por toda a gente que faz parte da sua vida. Nesta entrevista, Sara Avelar fala dos “momentos negros” que viveu, não esconde as lágrimas e explica por que razão a televisão é tão importante para si.
Sara, vamos começar pela televisão. Depois voltamos ao início da tua vida. Olhando para ti, percebe-se facilmente que és uma apaixonada pela comunicação.
Sem dúvida. Sempre fui. Tirei Jornalismo na Escola Superior de Jornalismo do Porto e nunca tive dúvidas sobre aquilo que queria fazer. Lembras-te daquela altura em que toda a gente tem duas ou três opções para a candidatura à faculdade? Eu não tinha. Ou era Comunicação Social, ou era Jornalismo. Nunca me imaginei a fazer outra coisa.
Já sabias exatamente o caminho que querias seguir.
Sim. Especializei-me em televisão, porque era aquilo que realmente me fascinava. O problema era outro: estando no Porto, as oportunidades eram muito mais limitadas.
Ainda assim começaste pela rádio.
Sim. Estagiei na Rádio Nova Era e acabei por lá ficar. Fiz jornalismo, depois passei para o entretenimento, trabalhei com o Tino de Rans, com o Pedro Alves… Foi uma experiência muito importante.
Mas Lisboa parecia sempre muito longe.
Muito. Nunca tive ninguém que me dissesse: “Vai. Arrisca. Tenta a tua sorte.” Pelo contrário. Diziam-me sempre que era muito difícil, que aquilo era um mundo fechado, que só conseguia quem já tinha conhecimentos. Acabei por não dar esse passo nessa altura.
Guardaste esse sonho numa gaveta.
Exatamente. Nunca desapareceu. Ficou sempre ali. Na verdade, quando entrei em Jornalismo nem era televisão de entretenimento que imaginava fazer.
Era o quê?
Jornalismo desportivo. Era completamente apaixonada por essa área. Estive dois anos no Estádio do Dragão, fazia reportagem de campo, entrevistas aos jogadores, andava junto ao relvado. Adorava aquilo.
Porque é que esse caminho terminou?
O clube começou a cortar custos e uma das áreas que desapareceram foi precisamente a nossa. Mas, olhando para trás, talvez tenha sido a vida a empurrar-me para outro caminho.
Mas a televisão ficou sempre nos teus sonhos.
Foi mais do que um sonho [sorriso]. Eu tinha uma urgência em estar naquele mundo, conhecer novas pessoas, exteriorizar as minhas emoções, que era coisa que eu não fazia.
Foi ela que te salvou?
Sem dúvida [pausa]. Aliás, digo isso muitas vezes. A televisão salvou-me mesmo.
Em que sentido?
Passei por fases muito difíceis a nível pessoal e profissional. E havia uma coisa extraordinária: quando entrava em estúdio, tudo desaparecia. Era como se carregasse num interruptor. Os problemas ficavam cá fora.
Leia a entrevista na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Nuno Azinheira; Fotos: Tito Calado