Renato Seabra Detetive quebrou o silêncio sobre a morte macabra de Carlos Castro: “Havia sangue por todo o lado”

Quinze anos após o crime que chocou o País, o ex-inspetor da polícia de Nova Iorque recorda os pormenores aterradores que encontrou no quarto de hotel e expõe a violência de Renato Seabra.

Quinze anos após a tragédia que abalou Portugal e Nova Iorque, o investigador principal do caso quebra o silêncio. Rick Tirelli revive a cena de crime mais macabra da sua carreira e expõe os pormenores chocantes do ataque brutal praticado por Renato Seabra no Hotel InterContinental.

A 7 de janeiro de 2011, o quarto 3416 do hotel nova-iorquino, situado em plena Times Square, transformou-se num verdadeiro cenário de horror. O antigo detetive da Polícia de Nova Iorque (NYPD), Rick Tirelli, que soma três décadas de experiência na investigação criminal, recorda sem rodeios o momento em que abriu a porta e se deparou com a brutalidade cometida contra o cronista social, de 65 anos.

“Quando chegamos, o quarto estava todo revirado. Estava tudo partido. Havia sangue por todo o lado. Um monitor de computador estava partido. Havia um par de ténis completamente ensaguentados. A vítima tinha lacerações pelo corpo todo. Via-se claramente que tinha sido espancado até à morte. Também tinha sido agredido sucessivamente com um saca-rolhas que tinha sido deixado no local do crime”, relata o antigo investigador, em declarações ao programa Portugal Criminal, da SIC.

O desencadear da loucura no quarto de hotel

O autor do massacre foi Renato Seabra, à data com 21 anos. O jovem aspirante a modelo nortenho cumpre atualmente uma pena de 25 anos de prisão efetiva a perpétua num novo estabelecimento prisional de alta segurança nos Estados Unidos.

De acordo com o depoimento prestado pelo ex-modelo aos detetives, a fúria descontrolada estalou após uma forte crise de identidade e um desacordo em relação ao regresso a Portugal. “Disse que nunca tinham tido uma discussão antes daquele incidente mas que, naquele momento, algo se ‘apoderou’ dele. O senhor Seabra começou a ter muitas dúvidas sobre se ainda era homossexual ou se queria continuar a sê-lo. E foi por isso que ele e o senhor Castro discutiram. Ele queria ir para casa e o senhor Castro disse-lhe já tinha comprado a passagem de volta. No entanto, ele não acreditou”, revela Rick Tirelli.

90 minutos de terror

O clima de tensão serviu de gatilho para uma espiral de violência invulgar que durou cerca de hora e meia: “Ele aproximou-se por trás, agarrou-o por trás, e começou a estrangulá-lo. Atirou-o ao chão com tanta força que o senhor Castro disse: ‘Partiste-me o braço, partiste-me o braço…’”, recorda o ex-inspetor.

A agressão, contudo, tomou proporções ainda mais macabras: “Depois, pegou no saca-rolhas e começou a esfaqueá-lo com ele, repetidamente. Em seguida, pegou no saca-rolhas para lhe cortar os testículos. Depois, calçou uns ténis Nike e começou a pisá-lo. Pisou-o repetidamente. A seguir, pegou no monitor de um computador e bateu-lhe na cabeça com ele”, conclui Tirelli.

Texto: Tiago Miguel Simões, Fotos: Impala

Notícia www.novagente.pt

Adicione a Impala como fonte preferida google share