Júlia Palha Mãe da atriz ‘envolvida’ em bronca em supermercado: “Toda posta… a tentar levar ovos XL em caixa M”

Ana Cáceres testemunhou uma “senhora na casa dos 60, loira, cabelo apanhado, relógio Cartier, iPhone 17” a tentar levar ovos XL numa caixa M e ainda tentar sair sem pagar três pastéis de bacalhau.

Ana Cáceres Monteiro, jornalista e mãe da atriz Júlia Palha, viu-se envolvida numa polémica depois de fazer no Facebook uma publicação sobre um episódio caricato presenciado num supermercado de Cascais

“Na caixa, uma senhora na casa dos 60, loira, cabelo apanhado, relógio Cartier, iPhone 17 e toda posta por ordem, estava a pagar seis caixas de ovos M. Ou melhor… estava a tentar [levar] seis caixas de ovos M que, afinal, tinha ovos XL lá dentro. O segurança, um rapaz novo, abordou a e explicou que tinha sido visto a trocar os ovos M pelos XL. A senhora negou tudo, dizendo, num tom bastante arrogante, que era mentira de olhos postos no iPhone 17, sem encarar o segurança, nem o funcionário da caixa, nem tão pouco a longa fila que aguardava pacientemente que aquele filme chegasse ao fim”, relatou.

A história, segundo Ana Cáceres, ainda teve uma reviravolta. “A segurança informou a de que as câmaras também tinham registado o comer três pastéis de bacalhau dentro da loja. E ou os pagava também, ou chamavam a polícia. Foi então que pagou apressadamente os ovos XL, os três pastéis de bacalhau e partiu ao volante do seu Mercedes elétrico topo de gama. Não vou dizer nomes, mas ela anda por aqui. E é isso. Há pessoas que têm tudo para viver tranquilamente e depois trocam a dignidade por seis caixas de ovos e três pastéis de bacalhau. Se o Fernando Pessa ainda fosse vivo, diria: «E esta, hein?»”, terminou o texto original.

Ana Cáceres explica porque decidiu apagar o texto

Perante o burburinho que gerou, que já incluía nomes de figuras conhecidas apontadas como possível protagonista, Ana Cáceres decidiu eliminar a publicação e vir a público explicar o que se passou. “Escrevi há dias uma pequena crónica de costumes sobre uma situação que me pareceu caricata, divertida e, ao mesmo tempo, reveladora de uma determinada mentalidade: a de que, para algumas pessoas, os sinais exteriores de riqueza podem ser mais importantes do que aquilo que é essencial. Não identifiquei ninguém e não pretendi atingir quem quer que fosse. Era apenas isso: uma crónica de costumes, como tantas que escrevi ao longo dos anos”, começou por explicar.

A jornalista lamentou o rumo que a interpretação do texto tomou. “Acontece que o post foi sendo interpretado de formas que nada tinham a ver com aquilo que eu tinha escrito. Os comentários começaram a seguir por caminhos especulativos, a situação chegou inclusivamente à imprensa e à televisão e já se dizia que a protagonista era uma figura pública. Não é. É uma cidadã anónima”, deixou claro.

Ana Cáceres explicou ainda porque tem escrito cada vez menos. “Perante isto, e porque entretanto a crónica estava a ser associada a pessoas que nada tinham a ver com ela, optei por apagar a publicação. Ora, é precisamente por episódios como este que tenho escrito cada vez menos. Vivemos num tempo em que um relato é interpretado como uma acusação, uma observação como uma tomada de posição e uma crónica como uma cruzada. Uma época em que se procura imediatamente saber quem é, de quem está a falar e contra quem está a escrever, como se toda a história tivesse obrigatoriamente de ter um alvo a abater. É a era do politicamente correcto, levado muitas vezes ao extremo”, completou.

Notícia www.novagente.pt

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