José Luís Gonçalves – 13 após acidente na TVI, companheira fala sobre estado de saúde: “Nunca mais vai…”
Ao seu lado, mantém-se Isabel Gomes, a companheira que sempre esteve lá para si de forma incansável, e Américo Manadas, que mantém a fé na recuperação do amigo.
A vida de José Luís Gonçalves e de todos os que o rodeiam mudou naquele fatídico dia 28 de julho de 2013. Durante um último ensaio do Dança com as Estrelas, que estreou nessa noite na TVI, o toureiro, na altura com 43 anos, quando se dirigia ao décor do programa, ao descer as escadas, que ainda não tinham corrimão, terá ficado encandeado com os holofotes e acabou por cair de uma altura de cerca de dois metros. Nessa altura, no Hospital de Santa Maria foram diagnosticadas fraturas na clavícula e em três costelas, e um traumatismo cranioencefálico (TCE) que o condenou a uma vida de total dependência na Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos Maria José Nogueira Pinto, na Aldeia de Juzo, onde ainda se encontra.
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Ao seu lado, mantém-se Isabel Gomes, a companheira que sempre esteve lá para si de forma incansável, e Américo Manadas, que mantém a fé na recuperação do amigo. Agora, em declarações exclusivas à TV 7 Dias, os dois falam sobre o atual estado de saúde do toureiro e revelam os contratempos sofridos por José Luís Gonçalves nos últimos anos.
“Ele falar fala, não sabe é o que diz. Ele aqui há uns tempos, a Isabel telefonou-me e era ele que estava ao telefone. ‘Manadas, estás bom’, disse ele. Fiquei surpreendido. Perguntou-me se eu andava a passar bem, eu disse que sim e quando perguntei ‘e tu?’, ele passou-se, saiu daquela onda. Depois a Isabel pegou no telefone e disse-me: ‘Manadas, eu fiquei espantada. Ele virou-se para mim e perguntou o que era feito do amigo Manadas que há muito tempo que não vinha cá’. E foi assim, foi uma coisa de segundos. Fiquei muito feliz”, diz o amigo, à TV 7 Dias, adiantando ainda que “ele teve aquele momento de lucidez. De resto nunca mais”.
Já Isabel Gomes, que tem estado incansavelmente a seu lado, acrescenta que “ele fala, mas, como imagina, um TCE é uma coisa muito grave. Não tem consciência do dia-a-dia, mas tem memórias. Não tem noção das coisas, é outro mundo” e revela ainda que o prognóstico não é nada animador: “O que está é o que está”.
Foi em 2020 que José Luís Gonçalves passou por outra situação difícil, ainda o COVID-19 não estava em força em Portugal. “Ele teve uma infeção muito grave, teve de ser operado de urgência, esteve em coma induzido, mas nada que não se resolvesse. Os médicos disseram que temesse o pior, ele está sempre ali na corda bamba. É um dia de cada vez”, lamenta a sua companheira. “Ele não faz grandes movimentos, ora está sentado, ora está deitado, toma muitos comprimidos e é normal que isso se reflita nos rins. Ele chegou a ser operado. Eu tenho muita fé, mas sei que ele não vai ficar a 100%, mas tenho fé que ele, pelo menos, consiga saber aquilo que diz, que saiba que sou amigo dele, que a Isabel é mulher dele. Às vezes ele não sabe nada disso. Ela já está habituada e está conformada”, acrescenta Américo Manadas.
“Houve uma regressão e não recuperou”
E se, nessa altura, os dois já notavam melhorias ligeiras em José Luís Gonçalves, principalmente a nível motor, a chegada da pandemia acabou por dar mais um duro golpe na lenta e difícil recuperação do toureiro. “Antes do COVID-19 as coisas estavam a melhorar. Mas depois veio o COVID-19 e as coisas voltaram a complicar-se porque a fisioterapia que ele fazia, deixou de fazer. Como parou de fazer a fisioterapia houve um retrocesso. Aquilo é muito complicado”, esclarece o amigo, que nos diz ainda que “ele tinha uma cadeira de rodas especial para o levantar e ele conseguia estar muito tempo em pé, isto antes do COVID-19. Depois isso acabou tudo. A Isabel, de vez em quando, também o trazia ao pátio para ele estar a apanhar ar porque é complicado pô-lo no carro, tirá-lo do carro porque ele não tem mobilidade”.
Já a companheira conta que “houve uma regressão e não recuperou. Foi muito tempo. E depois é assim, são 13 anos acamado. Tudo vai mudando e muito, é muito tempo, os músculos também. A fisioterapia é só para manter por causa dos coágulos e esse tipo de coisas. Não é para ele voltar a andar, ele nunca mais vai voltar a andar. É para o manter vivo”.
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Texto: Carla Ventura (carla.ventura@impala.pt) Fotos: Arquivo Impala