Joaquim De Almeida Recusa-se a parar e fala na idade: “Penso nos 70 quando me levanto e me dói tudo”
Era suposto estar a desfrutar da reforma em Portugal, mas aos 69 anos o “nosso” eterno Quim de Hollywood continua imparável. Gravou um filme de ação com um hipopótamo gigante, foi jurado num festival em Malta e vai ao Brasil dar uma palestra em breve. Ao seu lado está sempre a namorada, Patrícia Camacho.
A ideia de abrandar continua a não fazer parte do vocabulário de Joaquim de Almeida. Aos 69 anos, o ator, que celebra 70 em março de 2027, mantém uma agenda preenchida e divide-se entre filmagens, festivais internacionais e palestras. Bem-disposto, admite que a idade já se faz sentir, mas encara-a com o humor que o caracteriza. “Eu penso nos 70 quando me levanto de manhã e me dói tudo”, atirou, entre risos, à conversa com a NOVA GENTE à margem do lançamento do LookIN Club, o novo projeto de Francisco Ibérico Nogueira, apresentado no espaço Bougain Avenida, no Hotel Valverde Lisboa.
O LookIN Club é uma comunidade privada que reúne especialistas e parceiros de referência nas áreas da saúde, longevidade, bem-estar e lifestyle, proporcionando aos seus membros acesso privilegiado a benefícios, experiências e eventos exclusivos. Foi precisamente entre desafios que surgiu o mais recente projeto cinematográfico, Hungry — 4 Toneladas de Raiva, um filme de ação onde o ator contracena com um hipopótamo gigante. Apesar de garantir que o resultado final valeu a pena, não esconde que as filmagens foram particularmente exigentes. “Passei um mau bocado. Foi quase tudo gravado de noite. Para mim era sempre de noite, sempre metido dentro de água. E novembro é frio, não é qualquer coisa”, recordou.
Ainda assim, considera que o esforço compensou: “Depois de ver o resultado final, a recompensa foi boa.” Quanto ao filme, deixa um aviso divertido. “Não é um filme para Óscares”, diz, explicando de imediato que é uma produção feita sobretudo para entreter o público.
Pouco antes deste encontro com a NOVA GENTE, Joaquim de Almeida regressara de Malta, onde presidiu ao júri do Mediterrane Film Festival. Malta é um país que conhece bem e onde já esteve “meia dúzia de vezes nos últimos quatro anos”, acompanhado pela namorada, Patrícia Camacho. “Já me dizem que faço parte de Malta”, brincou.
Mais do que o clima ou a beleza da ilha, o ator destaca a visão estratégica daquele pequeno país para atrair grandes produções internacionais: “Eles são um bom exemplo para aquilo que Portugal devia ser. Dão incentivos e conseguem trazer filmes como Jurassic Park, Gladiador ou Napoleão. Nós podíamos aprender muito com eles, têm um país muito mais pequeno do que o nosso”.
Na sua opinião, Portugal continua a desperdiçar oportunidades: “Não é o cinema português que vai dar trabalho a toda a gente. Temos de abrir as portas ao investimento estrangeiro para criar emprego para os nossos técnicos, que são excelentes”.
Durante o festival voltou a confirmar a qualidade dos profissionais portugueses: “Uma das juradas já foi nomeada duas vezes para os Óscares na área da maquilhagem e cabelo. Temos gente de enorme qualidade. Falta é criar condições.”
Apesar da carreira de várias décadas em Hollywood, Joaquim de Almeida garante que continua incapaz de estar parado. Entre um filme e outro, multiplicam-se agora os convites para palestras, onde partilha a experiência acumulada ao longo de uma carreira internacional. “Agora vou para o Brasil dar uma palestra. Depois ainda vou até Ibiza, mas de férias”, revelou.
Questionado sobre férias, responde sem hesitar: “Estou quase sempre de férias.” Mas a frase depressa ganha outro significado: “Antes perguntavam-me para onde ia de férias e eu respondia: ‘Vou para casa [Portugal]’. Agora continuo a trabalhar, mas faço aquilo de que gosto.”
Texto: ANDREIA VALENTE; Fotos: TITO CALADO e D.R.