Heitor Lourenço abdica do teatro pela TVI: “Fiquei muito dividido”
Após vários anos, Heitor Lourenço está de volta à estação de Queluz de Baixo com um novo desafio. O ator já grava Coração de Mãe e, à TV 7 Dias, revela os pormenores da personagem que o fez regressar
Aos 58 anos, o ator está de regresso às novelas da TVI e não esconde a felicidade. Heitor Lourenço já grava Coração de Mãe, a nova aposta da estação de Queluz de Baixo, onde dará vida a Hélder. “É um guarda-prisional. Mas toda a história que está por trás é um personagem muito engraçado, porque é rico em termos humanos. Foi uma proposta muito boa e fiquei muito contente quando a recebi”, conta, em exclusivo, à TV 7 Dias.
O regresso marca o reencontro com a ficção da TVI, vários anos depois. Ainda assim, recorda que chegou a voltar ao canal durante a segunda temporada de A Fazenda para uma pequena participação, quando, com autorização da SIC, retomou à personagem que interpretava. “Entrei já a meio da segunda temporada. Mas, realmente, desde o início de uma novela na TVI já tinha passado muito tempo. Entretanto andei pela RTP e, sobretudo, muito ligado à SIC, tanto em novelas como Amor Amor e Lua de Mel, como A Passadeira Vermelha e outros projetos”, recorda. Sem rodeios, o ator deixa também uma crítica à forma como o mercado televisivo português continua a funcionar. “Hoje em dia, estupidamente quanto a mim, quando se está ligado a um canal parece que se fica com uns anticorpos e já não se pode trabalhar noutro”, lamenta, defendendo uma maior liberdade para os atores circularem entre estações.
Para aceitar o convite da TVI, Heitor viu-se obrigado a abdicar de um trabalho no teatro que lhe dizia muito. “Tive muita pena. Era um projeto que me apetecia muito fazer e envolvia pessoas de quem gosto muito. Consultei muitos amigos e tive de tomar uma decisão muito difícil. Fiquei muito dividido”, confessa. Além das gravações de Coração de Mãe, continua dedicado a outro projeto muito especial: o seu Monte dos Ferreiros, no Alentejo, onde explora uma unidade de turismo rural. “Agora é a altura em que está tudo a ‘bombar’. Ando num constante vai e vem, porque há sempre alguma coisa para resolver. Gosto de estar presente para garantir que corre tudo bem e aproveito as pausas no trabalho para lá ir”, revela. E foi precisamente numa dessas pausas que o ator marcou presença na Social Coffee Party, na nova loja da Delta, no Cais do Sodré.“O meu grande vício na vida é o café. Quando acordo, a primeira coisa que me apetece. É quase uma coisa vital, mesmo antes da minha meditação”, confessa-nos. Embora admita que esse primeiro café gosta de o beber sozinho, acompanhado pelas suas leituras, o ator diz que os restantes são, sobretudo, momentos de convívio. “Gosto dos cafés sociais, daquela desculpa do vamos beber um cafezinho para conversar um bocadinho”, partilha.
Texto: Neuza Silva (Neuza.silva@impala.pt); Fotos: D.R.