Cláudio Ramos Polémica! Psicóloga acusa-o de normalizar violência na TV e apresentador reage: “Preocupa-me pouco…”

Cláudio Ramos respondeu a uma psicóloga que o criticou publicamente. Em causa esteve uma história de infância contada pelo apresentador na TVI, em que revelou ter levado do pai por estar de casaco à mesa. Enquanto a especialista considerou o relato “traumático”

Cláudio Ramos está no centro de uma polémica depois de ter recordado, em tom descontraído no programa das manhãs da TVI, um episódio da sua infância em que o pai lhe bateu por estar de casaco à mesa. A partilha não caiu bem junto da psicóloga Maria João, que recorreu às redes sociais para acusaro apresentador de “normalizar” a violência física contra menores em televisão nacional. Sem papas na língua, o rosto da TVI reagiu diretamente na publicação.

O episódio que espoletou a discórdia

Tudo começou quando o apresentador recordou o momento em que, em criança, tentou esconder que tinha o braço partido por receio da reação dos progenitores.

“A minha mãe ali e o meu irmão aqui. E eu estava com um quispo. Porque eu tinha o braço partido, isto é uma história. E eu não queria contar a ninguém que tinha o braço lascado. Porque o braço estava muito inchado, não queria que se visse, então eu tinha medo. Estava com um quispo. E o meu pai diz-me assim,’ está frio?’. Não, ele não me disse mais nada. Toma, e eu bum. Assim foi, com os pezinhos na mesa”, contou entre risos.

Psicóloga arrasa: “Eu chamo isto traumático”

A leitura da especialista em saúde mental foi completamente diferente da abordagem leve dada em estúdio. Num vídeo detalhado, a psicóloga Maria João criticou o facto de uma situação de pavor e agressão infantil ser retratada como uma anedota.

“Uma criança parte um braço e tem tanto medo da reação dos pais que esconde o braço partido baixo de um casaco. E sofre violência física porque de alguma forma não cumpriu as regras da família de não usar casaco à mesa. E ao mesmo tempo, admitem que determinados tipos de postura à mesa os incomoda. Cláudio, não é por acaso? Isto ainda foi contado num programa da manhã, em televisão nacional, como uma história super engraçada. Os mídias chamam isto caricato. Eu chamo isto traumático”, disse a profissional.

A psicóloga alertou ainda para o impacto desta narrativa junto dos espectadores, lembrando que os castigos corporais são ilegais em Portugal: “Uma criança com medo de ser vista pelo próprio pai, de partilhar algo tão importante como partir um braço, com medo, pavor das consequências. Isto não é caricato. Isto é o retrato de uma infância vivida na base do medo. E isto não é conversa de café. É televisão pública, de sinal aberto, vista por milhares de pessoas, entre elas pais e mesmo crianças. E quando um canal de televisão pega numa história de violência contra uma criança, uma criança com medo, uma criança que foi magoada, e a transforma numa anedota de estúdio, não está a informar. Está a desinformar. Está a normalizar. E isso é profundamente errado.”

A especialista foi mais longe, deixando um aviso claro sobre a justificação de métodos antigos de educação: “Deixem-me ser direta com vocês. Não é ok bater, ponto final. Não é só uma palmada, não é só um estalo, e não é só um apertar de orelha. Não é ok bater. E isto não é opinião, é ciência. E em Portugal isto nem devia ser um tema. Desde 2007, que a lei proibiu castigos corporais a crianças, incluindo dentro de casa. É crime. Não é um estilo educativo, é crime. E é só triste. Em Portugal temos que implementar uma lei deste tipo. Antes que alguém venha aqui dizer comigo também me bateram e eu estou aqui e sobrevivi. A tua experiência pessoal não é um dado científico. Não valida bater em crianças, em adultos, em parceiros. E o facto de teres sobrevivido não faz de ti saudável. Se todos tivéssemos tido uma infância onde o corpo e as emoções eram respeitadas, seríamos adultos muito mais funcionais, muito mais regulados, com muito mais saudáveis. Com muito menos ansiedade, muito menos raiva é possível proporcionar menos violência nas relações, nas palavras, no trabalho. Isto que o Cláudio partilha não é nostalgia de infância. É violência disfarçada de piada em horário nobre. E eu acho que nós precisamos de parar de rir.”

Na legenda da mesma publicação, reforçou o seu ponto de vista: “Isto, @claudio_ramos, não devia passar em televisão nacional como anedota. Devia passar como o que é: violência. NÃO É OK BATER — nem em crianças, nem em ninguém. A tua experiência pessoal não é validação científica. E merecíamos todos ter tido infâncias com acolhimento, afeto e respeito — não medo. Como li recentemente num post da @desabafosdeducadora: nenhuma infância devia depender da capacidade do adulto regular as próprias emoções.”

Cláudio Ramos reage!

Confrontado com as duras críticas, o apresentador de 53 anos não se remeteu ao silêncio. Cláudio Ramos fez questão de comentar a publicação da psicóloga, defendendo o seu direito à liberdade de expressão e rejeitando qualquer juízo de valor sobre o seu passado.

“Eu preocupa-me pouco como interpretam o que digo. Isso não é responsabilidade minha. O dia que me condicionar com o que quero dizer sobre aquilo que foi ou é a minha vivência é porque o mundo e a liberdade dele está a ir para um lugar errado. Era o que faltava que alguém me desse lições de moral sobre como entendo contar coisas minhas, isso não aconteceu nunca, não vai acontecer aos 53 anos. Um beijinho a todos na esperança que olhem mais para dentro antes de se sentirem baluartes de coisa alguma, porque não são”

 

 

 

Texto: Tiago Miguel Simões; Fotos: Impala

 

 

 

Notícia www.novagente.pt

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