Algés Antes de matar a mãe, jovem de 15 anos gravou os maus-tratos à irmã de 4 anos: “Pontapés na criança”
Adolescente registou todos os momentos em que a mãe era violenta com a menina.
O caso do jovem de 15 anos que matou a mãe por estrangulamento, num bairro em Oeiras, ganhou contornos inesperados.
O motivo do homicídio terá sido para proteger a irmã mais nova, de 4 anos, que era alegadamente maltratada pela progenitora, Gabriela.
Antes disso, o adolescente terá entregado ao tribunal vídeos e áudios, gravados por si, dos momentos em que a mãe era violenta. A CMTV teve acesso aos registos e expôs o que viu e ouviu.
Eis tudo o que revelou Tânia Laranjo
“Eu vi os vídeos e ouvi os áudios que foram entregues neste processo e que não deixam qualquer dúvida sobre a violência das agressões. Também mostram que a mãe, a determinada altura, pedia ajuda. A própria mãe, Gabriela, precisava de ajuda. Aliás, ela assume isso mesmo, que não está bem, ameaça várias vezes matar-se, ameaça atirar-se da janela. Na origem ali dos desentendimentos entre a mãe e o filho de 15 anos parece-me que anda muito à volta do pai, ou seja, mesmo depois do pai ter sido preso, o filho de alguma forma está a proteger o pai, o que revoltava a mãe, dizia-lhe que ele lhe batia, que ele a maltratava, que não havia direito o filho continuar do lado do pai, preferia matar-se a ela e à miúda, à menina de 4 anos. Mas há, de facto, agressões muito violentas. Há, por exemplo, um vídeo onde ela dá pontapés na criança que está sentada no chão. É, de facto, impressionante. E o mais grave disto tudo é porque, muito provavelmente, não temos aqui um bom e um mau. Esta mãe também precisava de ser ajudada.”
“Estes vídeos estão no processo judicial, são do conhecimento da segurança social, dos técnicos que acompanhavam estas crianças. Há momentos em que a mãe pontapeia a criança de 4 anos. Há áudios com choros desta menina, que são absolutamente arrepiantes (…) Percebe-se, algumas conversas, onde o filho grava propositadamente para entregar ao tribunal, descrevendo ‘Mas tu ameaçaste-nos com uma faca’ e ela ‘Sim, mas eu também não estou bem, eu também preciso de ajuda’. Ela, inclusivamente, descreve episódios de muita violência perpetrados pelo companheiro, pelo pai destas crianças. É um contexto onde todos gritavam por ajuda e todos ignoraram (…) Os vídeos existiam, a criança de 4 anos era pontapeada, era palmadas, eram, de facto, agressões com as mãos muito violentas, são visíveis, são audíveis.“
Texto: Luís Sigorro; Fotos: Unsplash