Lili Caneças “Já sabia que ia ser o fim do Carlos Castro”

A socialite conta que teve um pressentimento mau e que tentou abrir os olhos ao cronista social sobre o que considerava serem os verdadeiros interesses de Renato Seabra. Mas ele não a ouviu. Estava perdido de amores e entusiasmado com a viagem a Nova Iorque. Dias depois, recebeu o telefonema que tanto temia: “Foi horrível”.

Mais de 15 anos depois da macabra morte de Carlos Castro pelas mãos de Renato Seabra, em Nova Iorque, o assunto voltou a ganhar interesse público depois do site Observador ter tido acesso a todos os documentos que fizeram parte da investigação e de ter lançado uma série em podcast intitulada Os ficheiros do Caso de Carlos Castro. Os contornos do crime continuam a gerar curiosidade e, a propósito da divulgação destes arquivos, que ajudam a reconstituir o que se passou naquela viagem romântica, Lili Caneças, amiga de longa data do cronista, revelou a última conversa que tiveram e a sua tentativa desesperada por salvá-lo das mãos do aspirante a modelo. É que segundo conta à NOVA GENTE, assim que os viu juntos pela primeira vez, a 1 de dezembro de 2010, numa gala da Abraço, um mês antes da tragédia, não teve dúvidas: “Já sabia que ia ser o fim de Carlos Castro”.

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A socialite recorda que notou logo algo estranho no olhar de Renato Seabra, na altura com 21 anos, e, assim que teve oportunidade, levou o amigo para um camarim para tentar chamá-lo à razão em relação àquele romance e às intenções do jovem. Afirma que não teve medo de ser indelicada e disse-lhe as maiores “barbaridades”. “Estávamos no intervalo da gala, no São Luiz, em Lisboa. Ele disse que tinha encontrado a sua alma gémea e que ia levá-la para Nova Iorque para passar o ano. Eles tinham-se conhecido há pouquíssimo tempo [através do Facebook]. Mas eu, às vezes, tenho intuições e, quando eu sinto qualquer coisa, sei que algo de mau vai acontecer. Então, enchi-me de coragem, fui ao camarim dele, peguei-lhe no cabelo e disse: ‘Olha para a espelho, olha para o espelho. O que é que tu estás a ver ali?’. Eu disse-lhe tudo, coisas de uma grande barbaridade para ver se ele de repente caía na real e dizia: ‘Ela tem razão’”.

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Mas Lili não ouviu o que queria. Pelo contrário. Sentiu que o amigo, de 65 anos, estava perdido de amor e que não lhe interessavam opiniões alheias. “Ele olhou para mim e disse-me: ‘Não é por aquela criatura que ele está apaixonado, ele está apaixonado pela minha inteligência, pela minha maneira de ser, pelo meu pensamento, pela minha parte espiritual…’. E eu disse-lhe: ‘Olha Carlos, vais ter um lindo fim’. Foi a última coisa que eu lhe disse. E pronto, passado uns dias, aconteceu-lhe aquilo que todos sabemos”, completa, referindo-se ao macabro homicídio que ocorreu no quarto 3416 do hotel Intercontinental, em Times Square, a 7 de janeiro de 2011, onde os dois estavam hospedados, precisamente 85 dias depois de se terem conhecido.

 

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Texto: Vânia Nunes; Fotos: Arquivo Impala e Redes Sociais. 

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