Diddy – Alvo de novas acusações: Violação com comando de TV
No último mês, dois documentários vieram deitar mais achas na fogueira que arde em torno do rapper, com relatos impressionantes de alegadas vítimas e testemunhas. O músico continua detido sob acusação de abuso sexual, tráfico sexual e extorsão.
Já são dois e o terceiro vem a caminho. Desde que Sean “Diddy” Combs foi detido, em setembro de 2024, sem direito a caução e de baixo de acusações de crimes de abuso sexual, tráfico sexual e extorsão, que as plataformas de streaming têm apostado em contar a sua história e em trazer à luz do dia testemunhos e declarações de alegadas vítimas. Um deles é The Fall of Diddy, disponível na Max desde 28 de janeiro e com estreia agendada para as 22 horas de 9 de fevereiro no canal ID. Dividido em quatro partes, quer contar a ascensão ao estrelato do rapper e a sua queda desde que, em novembro de 2023, Cassie Ventura, sua namorada durante mais de uma década, entrou com uma ação judicial por abuso físico, emocional e sexual.
Um outro é Diddy: The Making of a Bad Boy, da Peacock (não disponível em Portugal), que apresenta entrevistas com pessoas que conviveram com o magnata da indústria do hip-hop e falam das suas famosas “festas brancas” – celebrações que reuniram estrelas da música e do cinema e serviam, supostamente, de palco a excessos de drogas e nudez, a maioria das vezes sob coação ou sem o consentimento dos envolvidos.
Um dos novos casos divulgados neste último é o de Ashley Parham, que afirma ter sido abusada sexualmente por Sean Combs em 2018. De acordo com esta mulher, o artista ameaçou-a com uma faca e violou-a com um comando de televisão. Ele e um grupo de amigos. Diz que, desde então, tem tido uma vida de “reclusão” e garante que o silêncio que manteve até agora se deveu a ameaças vindas de Kristina Khorram, que trabalhava para o rapper e que lhe terá dito que, se ela falasse, poderia ser levada para qualquer lugar do Mundo e nunca mais veria quem lhe era próximo – incluindo a família.
Outro é o de Kim Porter, namorada de Combs que morreu vítima de pneumonia, também em 2018. Al B. Sure!, seu companheiro à data do infortúnio e pai do seu filho, dá aqui o seu primeiro testemunho, deixando no ar a hipótese de o músico ter estado envolvido nessa morte – embora as autoridades tenham avançado nunca terem sido encontradas provas de que esta tenha sido provocada por “causas não naturais”, cita o jornal britânico The Guardian, que assistiu ao documentário.
Forçado a ter relações sexuais para provar a sua “lealdade”
Já em The Fall of Diddy, um ex-assistente de Sean Combs, Phillip Pines, diz ter sido forçado a manter relações sexuais para provar a sua “lealdade”. “Ele fez o que quis, e nós estávamos à disposição dele… Ele é um predador”, alega, relatando ter sido pressionado a ingerir bebidas alcoólicas numa das famosas festas e depois abordado pelo rapper. “Lembro-me de ouvir as palavras dele: ‘Prova a tua lealdade para mim’”, alegou. “Ele agarrou-me pelos ombros, deu-me uma massagem rápida, como um treinador faria a um jogador que está prestes a entrar em campo, entregou-me um preservativo e empurrou-me para uma rapariga que estava no sofá, uma convidada”, lembrou.
Pines frisou que o ato sexual que se seguiu foi consensual, mas que ele só concordou por temer sofrer retaliações de Diddy. “Ele tem uma habilidade inata para fazer com que você se sinta confortável e fazer coisas por ele que você nunca faria”, completou.
No mesmo documentário surge Danyel Smith, que adianta ter sido ameaçada por Diddy. O episódio terá acontecido em 1997, quando era editora da revista VIBE. A jornalista, que fala pela primeira vez para as câmaras, traça um perfil da carreira de Combs e sobre o seu alegado comportamento violento em relação a si mesma. “Vais acabar morta na bagageira de um carro”, terá dito o cantor, quando ela se recusou a mostrar-lhe uma capa daquela publicação para que ele a aprovasse.
Ministério Público fala em tráfico de três mulheres
No passado dia 30 de janeiro, o Ministério Público apresentou uma nova acusação formal contra o artista, referindo que este transportou três mulheres, juntamente com prostitutas, através de vários estados norte-americanos e para fora do país. Uma primeira acusação, apresentada em setembro, fazia referência a apenas uma vítima.
Combs, de 55 anos, está detido no Metropolitan Detention Center, em Brooklyn. Deve ir a julgamento a 5 de maio. O rapper sempre se declarou inocente de todas as acusações. Os seus representantes acusam o documentário da Peacock de “reciclar e perpetuar as mesmas mentiras e teorias da conspiração que têm sido arremessadas contra o senhor Combs durante meses”.
Entretanto, a Netflix lançará, em data ainda por revelar, um outro documentário em torno do artista. Chama-se Diddy Do It e está a ser realizado por 50 Cent. “É uma narrativa complexa que abrange décadas, não apenas as manchetes vistas nos últimos tempos”, garantiu o também rapper à revista Variety.
Texto: ANA FILIPE SILVEIRA; Fotos: DR