Henrique Feist Recorda último momento do pai: “Os gritos eram ensurdecedores”
Henrique Feist abriu o coração para partilhar as memórias de um dos dias mais duros da sua vida. Três décadas após a morte do pai, o músico descreve o cenário de dor que viveu num corredor de hospital
Henrique Feist, de 53 anos, utilizou as suas plataformas digitais para assinalar os 30 anos da morte do pai, num testemunho difícil de ler. Através de um texto carregado de sentimento, o músico recordou os últimos minutos de uma agonia que parecia não ter fim.
“Os gritos eram ensurdecedores”
Henrique transportou os fãs para aquele fatídico dia, onde a dor física do pai era quase palpável: “Passava da hora do almoço. A dor já era insuportável. Os gritos eram ensurdecedores. A inquietação augurava algo. O meu desespero era tanto que o Mané disse para irmos lá abaixo à rua apanhar ar cinco minutos”, começou por escrever. A curta saída à rua foi apenas o pretexto para o momento do adeus. Ao regressar, o silêncio que se instalou foi o sinal mais pesado de todos.
“No rés do chão ainda se ouviam os gritos. Na rua já não. Quando voltámos a entrar já não se ouviam gritos. Nem fomos de elevador. Escadas. Os degraus de dois em dois. Chegámos ao 4.° andar. Está uma enfermeira a sair do quarto, cabisbaixo e a abanar a cabeça. E isso bastou”, relatou o artista.
Ao entrar no quarto, Henrique encontrou o fim do sofrimento que se arrastava há tempos: “Desci o corredor a correr e entrei no quarto. Já tinha chegado a hora. E sobre ti pairavam um silêncio e uma paz que estavam esquecidos há meses”.
Acompanhando o texto com uma imagem ternurenta da sua juventude ao lado do pai, o músico rematou: “Faz hoje 30 anos. 30 anos. E ainda parece que foi há 30 minutos. Beijo-te, meu pai. Amo-te, meu pai”.
Texto: Tiago Miguel Simões; Fotos: Impala