Filipe Delgado Apaixonou os portugueses na 1.ª Companhia: “A vida pode nunca mais ser aquilo que era”
O cantor assume que o reality show lhe mudou a vida. Fala da fama repentina, do orgulho do filho Salvador, da relação com João Calado e não esconde: quer chegar aos Coliseus e à MEO Arena.
A 1.ª Companhia acabou há cerca de quatro meses. Já deu para regressar à normalidade?
Ainda não. Isto foi… Eu costumo dizer que levei um chapadão, mas bom. Tenho sido muito acarinhado pelo público, mas vou ser sincero: não esperava que fosse assim algo tão forte. Quando saí, fui mesmo surpreendido. Eu adorei a experiência e digo que isto foi a experiência da minha vida. Mesmo. Porque revirou a minha vida completamente do avesso. Tenho recebido muito amor, muito carinho por parte das pessoas. Sou muito grato por tudo isto e nem consigo explicar aquilo que sinto. Quando eu saí, as pessoas todas queriam abraçar-me e apoiar-me… É uma onda de amor que ainda agora se mantém. Ainda agora, quando vínhamos do carro para cá, a minha mãe estava toda atarantada à procura de estacionamento, e ouvimos uns gritos, mas nem liguei porque estava a olhar para o GPS e a dizer “é por aqui mãe”. E de repente oiço “olha o Filipe, olha o Filipe”. E eu nem tive tempo de cumprimentar as pessoas. Eu fico assim… Meu Deus, já passou algum tempo desde que o programa acabou, já existiram outros reality shows, mas eu, de alguma forma, marquei as pessoas. Não há prémio que pague isto. O maior prémio que eu posso ter é isto. É muito raro um concorrente ser assim tão acarinhado pelo público, só receber amor.
Toda a gente gostava de si e divertia-se consigo. Tem noção disso?
Eu recebo muitas mensagens… E posso dizer que ainda ando a responder a mensagens no Instagram desde a altura em que saí, em fevereiro. Isto é verídico. E vou responder a todas as pessoas. Sou mesmo eu que estou a responder, não é ninguém por mim. Tenho três pastas no Instagram e vou respondendo e, quando chego ao fim, já tenho mais não sei quantas para responder. Nem que leve anos, mas vou responder a todas. Então, leio coisas maravilhosas. Eu pergunto-me: ‘Mas o que é que eu fiz de mais para receber isto?’ Eu nem salvei nenhuma vida! Mas leio pessoas que se sentiam ajudadas, acompanhadas por mim… O que eu recebo de mensagens de apoio é mesmo incrível. Não estava mesmo à espera. Sabia que era um reality show, que ia estar exposto… A minha família, os meus amigos, quem me conhece, sabe o que é que a casa gasta. E eu não estava escondido de ninguém. Não estava era à espera que as pessoas gostassem assim de mim, como eu sou.
E aquele Filipe não era nenhuma personagem?
Não. Eu só fui eu. Tenho uma amiga que é enfermeira, trabalha cá em Lisboa, no hospital. E no grupo do WhatsApp dela do trabalho uma colega perguntou-lhe: “Tu és amiga deste doido? Mas ele é ator?” E ela respondeu-lhe: “Não, e isto ainda está só no início. Se ele chegar ao fim, tu ainda vais ver que ele consegue ser um bocadinho pior” [risos]. Também foi um programa leve, que me permitiu ser eu próprio. Porque, além das regras e muita disciplina que tínhamos, também tínhamos uns momentos em que nos podíamos divertir e dizer o que nos apetecesse. E a interação com os instrutores era espetacular. Aquilo foi maravilhoso. O instrutor Andrade chegou a dizer-me: “Filipe, se tivéssemos um guião, não ia ser tão bom. Quando tínhamos de interagir contigo, a gente benzia-se e ficávamos: ‘Ai o que é que ele vai dizer? O que é que ele vai responder?’”. Fartei-me de rir. Isto vai marcar-me para sempre.
O que é que a 1.ª Companhia revelou sobre si que nem os seus amigos mais próximos sabiam?
Não sei bem responder, porque eu fui para lá sem filtros. Completamente sem filtros. Eu sou mesmo assim. Não omiti nada, não escondi nada, tanto da minha vida pessoal, como da minha vida profissional. Mas recebi vários feedbacks de amigos e familiares que ficaram surpreendidos com a parte física. Eu sou muito preguiçoso para ir ao ginásio. Vou porque tenho mesmo que ir, senão perco peso e fico muito magro. Vou mesmo só numa de manter. E sou muito indisciplinado nessa parte… Mas ali até gostava daquilo. Comecei a pôr na cabeça que aquilo me fazia falta, e resultou! O exercício físico para mim era regra. E mantém-se até hoje. E, mesmo com a correria que a minha vida tem sido nos últimos meses, faço um esforço e obrigo-me a ir ao ginásio. E quando não vou, sinto a culpa. Isto do exercício físico foi uma das coisas que mudou o chip em mim. Foi bom e surpreendeu muitos daqueles que me rodeavam.
Esta experiência tornou-o mais tolerante com os outros ou mais alérgico a ordens?
Em relação às regras e às ordens, eu sempre fui muito cumpridor. Se eu estava ali e tinha regras e coisas para cumprir, cumpria-as. Eu sou daqueles que gosta de fazer as coisas direitinhas. Em relação a ter ficado mais tolerante… eu sou um desbocado, não é? Ou seja, eu digo as coisas às vezes sem pensar. E o programa ajudou-me a controlar um bocadinho mais essa parte, de estar um bocadinho mais contido em certas respostas ou atitudes com os outros. E fui aprendendo isso lá dentro, até mesmo com outros colegas. Por exemplo, tinha colegas que, por vezes, me diziam: “Olha, às vezes, se calhar, tens de pensar um bocadinho antes de falar”. E isso é muito bom, os outros também nos mostram essa realidade. Eu sou uma pessoa muito impulsiva, em tudo na minha vida, e houve ali momentos em que pensei duas vezes antes de falar ou dizer aquilo que queria mesmo dizer. Mas foram poucos os momentos, diga-se de passagem [risos].
Leia a entrevista na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Inês Neves; Fotos: Helena Morais