Diogo Jota Viúva conta pela primeira vez como soube da morte do jogador
Rute Cardoso e os pais de Diogo Jota reconstituem, passo a passo, a última viagem, a confirmação da morte, a ida à morgue e o adeus mais difícil ao jogador e ao irmão André.
Poucos dias depois do casamento com Rute Cardoso, e quando a felicidade ainda se vivia em casa, Diogo Jota saiu para aquela que seria a última viagem da sua vida. A despedida à mulher e aos três filhos, as mensagens trocadas nessa noite e a dor dos pais são reconstituídas na biografia Diogo Jota, Nunca Mais é Muito Tempo, que chegou às bancas no dia 9 de abril e acompanha os últimos dias de vida do futebolista. Assinado por José Manuel Delgado, o livro reúne testemunhos de familiares, amigos e colegas, mas são os relatos de Rute Cardoso e dos pais que dão maior força a estas páginas.
Tudo começa a 20 de outubro de 2024, no jogo entre Liverpool e Chelsea, quando Diogo Jota sofre uma lesão pulmonar. É operado, regressa à competição e ainda ajuda o Liverpool a conquistar a Premier League e Portugal a vencer a Liga das Nações. Já no final da época, volta a ser submetido a nova cirurgia e, por indicação médica, deixa de poder viajar de avião no pós-operatório, devido às alterações de pressão. Foi por isso que optou por viajar entre Inglaterra e Portugal por estrada e por mar, solução que usou na vinda para o casamento e que planeava repetir no regresso ao Reino Unido.
Leia ainda: Diogo Jota – Mãe revela a última mensagem que enviou ao filho e nunca recebeu resposta
A despedida
No dia da viagem, a rotina da família manteve-se. “Na manhã seguinte, dirigimo-nos ao Hospital da Arrábida para o Diogo tirar os pontos, e levámos o Dinis e o Duarte connosco.” Depois foram almoçar sushi perto da praia. Mais tarde seguiram para casa da irmã dela, onde costumavam ficar quando vinham a Portugal. Era aí que a família se reuniria para se despedir de Diogo e também de André, que iria acompanhá-lo na viagem. “Dessa forma, aproveitavam para ver o maldito carro e para jantar connosco.”
Rute foi deitar os filhos e, quando voltou à sala, os dois irmãos estavam quase prontos para sair. O plano era parar para dormir a meio do caminho, num hotel em Benavente, em Espanha, e retomar a viagem na manhã seguinte. “Lembro-me de não estar com fome e de nem sequer ter jantado. Ficámos um pouco na conversa, e o André ainda foi à casa de banho. Decorridos uns minutos de eles terem saído, enviei uma mensagem ao Diogo a dizer-lhe: ‘Vai com Deus’. Ele respondeu-me com um emoji, e eu pedi-lhe que se mantivesse focado na estrada.” Foi a última mensagem que teve resposta.
A última mensagem que Rute enviou a Diogo
Mais tarde, já perto das 22h40, Rute recebeu no telemóvel o vídeo da dança-surpresa que tinha preparado com as damas de honor no casamento, celebrado pouco mais de uma semana antes. “No nosso casamento, que se realizara uma semana e pouco antes, eu e as minhas damas de honor fizemos-lhe uma surpresa, uma dança. Na noite do acidente, por volta das 22h40, o fotógrafo enviou-me o vídeo desse momento, que encaminhei para o grupo que tinha com elas. Responderam-me que o Diogo parecia alguém que se estava a apaixonar pela primeira vez, porque era isso que, de facto, a expressão dele indicava.” Quis mostrá-lo logo ao marido e enviou-lhe nova mensagem: “Quando parares, tenho um vídeo para te mostrar.” A mensagem foi entregue, mas nunca chegou a ser lida.
Diogo Jota morreu aos 28 anos
Leia esta matéria na íntegra na sua NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas

Texto: Inês Neves; Fotos: Impala e D.R.