Cláudio Ramos “Mais de metade do que acham a meu respeito é mentira”

É uma das figuras mais marcantes da televisão portuguesa, mas é na escrita que diz revelar mais de si. É romântico, teimoso e frontal. Em conversa com a NOVA GENTE, o apresentador não se esconde quando fala de amor, de vida e de si próprio. E assume: não mudava nada.

Há conversas que começam num livro… e acabam por dizer muito mais sobre quem o escreveu. Foi exatamente isso que aconteceu aqui. O Amor Não Morre, o sexto romance de Cláudio Ramos, serviu de ponto de partida para esta entrevista, mas rapidamente ficou claro que as páginas eram apenas uma parte da história. Aos 52 anos e com três décadas de carreira, o apresentador mantém intacta a frontalidade que o tornou conhecido e que, como admite, já lhe trouxe “muitos sarilhos”, mas também uma enorme liberdade. Entre a disciplina quase milimétrica dos dias e uma forma muito própria de olhar para o mundo, fala de amor sem romantismos ingénuos, ri-se da hipocrisia e recusa viver com arrependimentos. Orgulhoso do caminho que construiu, garante que não mudava uma linha e que continua a ser muito mais do que aquilo que se vê.

 

Acabou de lançar O Amor Não Morre. Em que momento da sua vida nasceu este livro?

Nasceu há algum tempo na minha cabeça. A escrita aconteceu no ano passado, ao mesmo tempo que apresentava os seis meses de Big Brother. Eu sei que foi uma loucura em termos de tempos e de horas de descanso, mas comecei a história e depois senti vontade de agarrar nela e levá-la até ao fim. Foi muito desgastante. Um livro destes nasce sempre de um estado de alma que nos acompanha em determinado momento da nossa vida que é preciso aproveitar e transformar numa coisa boa.

 

O livro ainda nem tinha chegado às livrarias e já aparecia entre os mais vendidos. Esperava esta reação dos leitores ou apanhou-o de surpresa?

Na verdade, na semana em que recebi a notícia que era o autor mais vendido no País, fiquei surpreso. Não que o livro não merecesse isso, porque merece, mas porque há muita oferta. Na verdade, eu trabalhei para que isto fosse uma boa história e o que acontece é que, na minha opinião, as pessoas confiam na minha escrita e por isso querem garantir o seu exemplar antes de ele estar na rua. O Rapaz, o meu anterior romance que lancei há dois anos, foi também um sucesso grande e acredito que, quem me descobriu naquela escrita quer conhecer esta história, e quem nunca me tinha lido tem vontade de o fazer. No que toca a reações, sou muito prático. Agradeço, fico feliz que confiem na minha escrita, mas tenho os pés muito assentes no chão. Este é o meu sexto romance, foi um crescimento que acho justo porque dá trabalho, e um livro é uma entrega emocional violentíssima, por isso ainda bem que o púbico me reconhece isso.

 

O livro fala de relações, perdas e sentimentos. Escreveu-o mais como observador ou há ali muito da sua própria história?

Não há nenhum autor, creio eu,  que não coloque na sua obra mais de metade de verdade da sua vida dentro dela. Eu não sou exceção. Claro que é uma obra ficcionada, mas de tão real que é confunde-se com o nosso dia a dia. É impossível não absorver o mundo que me rodeia, as histórias que escuto todos os dias ou a minha própria vida.

 

A televisão mostrou-nos muitas vezes o Cláudio frontal e direto. O livro revela um lado mais sensível ou surpreendente?

A minha escrita, toda ela, revela uma camada que a televisão não tem tempo de mostrar.  Eu sou um comunicador. A escrita é mais uma forma de o ser. Na televisão, é tudo imediato, não há espaço para mostrar todas as camadas. Eu não sou o protagonista, sou o fio condutor, não é suposto estar em evidência. O livro é meu, é uma história minha. Quando escrevo, um livro ou outra coisa qualquer, é um pedaço meu de verdade. É na escrita que se me descobre mais. Seguramente.

 

Leia a entrevista na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

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Texto: Inês Neves; Fotos: Arquivo Impala. 

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