Cláudia Pascoal O regresso depois do burnout: “A pausa não foi uma decisão tomada por vontade própria”

Trabalhava sete dias por semana e não conseguia dizer que não a nada. Acabou internada e aconselhada pelos médicos a fazer uma pausa. Agora está de volta, com um programa na TV.

No espaço Lat.a, em Lisboa, durante a apresentação no novo programa dos domingos à noite da RTP1, Dream Team, Cláudia Pascoal surgiu tranquila, leve e mais serena do que a imagem elétrica que tantas vezes habituou o público a ver em palco.

O cabelo já não muda de cor “com a mesma frequência”, disse entre risos, mas há outra transformação bem mais profunda: a cantora regressou ao trabalho depois de nove meses afastada devido a um burnout, e garantiu que hoje sabe reconhecer os limites do corpo e da mente. “Trabalhava todos os dias e não tinha folgas. Não era um comportamento normal”, admitiu.

A pausa não foi uma decisão tomada por vontade própria, mas uma recomendação médica depois de um internamento hospitalar. Cláudia aceitou abrandar e reorganizar a vida. “Agora faço as coisas que me apetecem e com muito mais cuidado”, explicou.

O regresso acontece através de Dream Team e há um simbolismo nesse desafio: depois de um período em que perdeu o encanto pela música devido ao excesso de trabalho, são precisamente os mais novos que a ajudam agora a reencontrar essa paixão.

No programa, mentores e concorrentes vestem-se de forma semelhante, reforçando a ideia de equipa e não de protagonismo individual. “Os meus pequenos vão estar vestidos exatamente iguais a mim”, contou, descrevendo um universo cheio de cor, irreverência e espírito coletivo. 

Mais do que ensinar técnica ou performance, Cláudia acredita que pode transmitir às crianças uma relação mais saudável com a profissão artística. “Não precisamos ganhar nem estar sempre em primeiro. Precisamos divertir-nos”, sublinhou. A experiência do burnout tornou-a particularmente atenta às pressões da indústria e às dificuldades de ser artista em Portugal, uma realidade que considera pouco apoiada e frequentemente desvalorizada.

Ao olhar para os concorrentes, vê-se refletida neles. “Vejo completamente a Cláudia que fui.” A diferença, diz, está na maturidade. Hoje, com 31 anos, sente-se pronta para voltar, mas sem repetir os erros do passado. Os concertos serão menos, o ritmo mais calmo e 2026 será, acima de tudo, “um ano de construção”. E, pela primeira vez em muito tempo, a cantora garante que voltou a sentir entusiasmo pela música. “Aquela fascinação genuína está a voltar outra vez.”

Texto: ANDREIA VALENTE; Foto: TITO CALADO

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