Agressões, despedimentos e polémica: Festival da Eurovisão em risco!

O festival da Eurovisão pode não acontecer. O certame de música, agendado para maio em Kiev, Ucrânia, está em risco porque organizador atravessa dificuldades financeiras e críticas da igreja Ortodoxa.

Agressões, despedimentos e polémica: Festival da Eurovisão em risco!

Agressões em Espanha, despedimentos na Ucrânia e a igreja Ortodoxa com os nervos em franja: a três meses da 62ª edição do Festival da Eurovisão, aquele que é o maior evento musical televisivo do mundo está envolto em polémica. Ainda não estão apuradas metade das 43 canções participantes e já existe a possibilidade de Kiev, capital da Ucrânia e cidade anfitriã do festival, não receber o certame.

Isto porque 21 elementos da equipa organizadora do Festival da Eurovisão se demitiram. Os executivos, que trabalham para o canal público ucraniano UA:PBC, abandonaram as funções por considerarem não haver condições para a continuidade do projeto. Esta é o mais recente revés de um percurso atribulado deste 62º Festival da Eurovisão.

O canal público da Ucrânia, que é o anfitrião do festival, debate-se com dificuldades financeiras e, apesar do certame ser cofinanciado pela União Europeia de Radiodifusão, não há certezas de que a estação anfitriã seja capaz de arcar com as despesas.

E nem o local onde vai ser realizado o festival escapa às críticas. A catedral de Santa Sofia, monumento histórico do século XI e património da Humanidade, foi o local inicialmente escolhido para receber o certame. Mas a organização viu-se obrigada a deslocalizar o festival para o centro internacional de exposições depois de a Igreja Ortodoxa ter considerado “uma blasfémia” a hipótese de o evento se realizar em solo considerado sagrado.

Jurado agredido em Espanha e vencedor vaiado pelo público

Manel Navarro, de 20 anos, é o músico que vai representar Espanha no festival da Eurovisão. A sua eleição, feita em direto na televisão pública espanhola, a TVE, foi mais parecida com uma tourada do que com um espectáculo musical. Os percalços desde o passado sábado, dia em que Navarro foi escolhido, são tantos que a polémica já chegou ao parlamento, com o PSOE a exigir explicações à televisão pública espanhola sobre o sistema de votação.

Manel Navarrro e Mirela ficaram empatados (ele reuniu as preferências do júri e ela do voto popular). Cabia então aos jurados ( Xavi Martínez, Virginia Díaz e Javier Cárdenas) tomar a decisão final. Assim que foi anunciado que seria Manel Navarro a representar Espanha em Kiev, o estúdio veio abaixo com protestos, apupos e assobios.

Navarro reagiu da forma menos cavalheiresca possível às reações negativas do público, fazendo um manguito para a plateia:

https://twitter.com/MariaNavarro_C/status/830554493335064576

A noite desastrosa terminou da pior forma para um dos jurados: Xavi Martinez diz ter sido agredido por fãs de Mirela. “Tudo aconteceu muito rapidamente. Eu ia a sair quando quatro ou cinco tipos começaram a ir atrás de mim. Começaram a gritar, ameaçaram-me de morte e, sem que eu tivesse tempo de reagir, deram-me uma estalada”, disse Martinez ao diário espanhol El Pais.

O Festival da Eurovisão acontece entre 9 e 13 de maio. Portugal atua na primeira semifinal. A escolha da canção que irá representar as cores lusas em Kiev acontece a cinco de março. A RTP transmite, em direto do Coliseu dos Recreios, a final do Festival da Canção, que irá reunir os seis artistas apurados nas duas semifinais (19 e 26 de fevereiro).

A vencedora do festival da Eurovisão do ano passado foi Jamala (na imagem).

Texto: Raquel Costa