Por que deixou o Irão de chamar-se Pérsia?

Irão ou Pérsia? Usado no Ocidente durante séculos, a palavra Pérsia tem origem na província de Pars, berço do Império Aquemênida. Então, por que passou a Irão?

Por que deixou o Irão de chamar-se Pérsia?

Usado durante séculos no Ocidente, Pérsia referia-se ao território que hoje conhecemos como Irão. Pérsia, no entanto, nunca foi a forma principal como os próprios habitantes do país se identificaram. Internamente, desde a Antiguidade, o termo Irão era já utilizado. Deriva de “Aryānām” e significa “terra dos arianos”, numa referência aos povos indo-iranianos que habitavam na região.

A palavra Pérsia tem origem na província de Pars (ou Fars), no sudoeste do país e berço do Império Aqueménida. Quando os gregos entraram em contacto com essa região específica, passaram a usar “Persis” para se referir àquele império. O hábito foi herdado por romanos e, mais tarde, pelos países europeus. Assim, o uso de “Pérsia” acabou por consolidar-se no mundo ocidental.

Por que deixámos de chamar Pérsia ao Irão?

A mudança oficial deu-se em 1935, quando o xá Reza Shah Pahlavi solicitou formalmente à comunidade internacional que passasse a utilizar o nome Irão em documentos diplomáticos. A decisão fazia parte de um projeto de modernização e afirmação da identidade nacional. Procurava reforçar a ideia de um Estado soberano com raízes próprias e não apenas uma visão moldada pela tradição europeia.

Apesar da adoção oficial de “Irão”, o nome Pérsia continuou associado à cultura, à história e à arte do país. Termos como “cultura persa”, “persas” e “língua persa” mantêm-se usados de forma ampla, já que remetem para uma herança civilizacional específica, particularmente ligada aos antigos impérios e à produção cultural clássica.

Assim, o país não deixou de ser Pérsia no sentido histórico ou cultural, mas passou a usar oficialmente o nome pelo qual sempre foi conhecido internamente. Irão reflete a identidade nacional e política moderna, enquanto Pérsia se mantém como nome histórico e cultural, preservado na memória global e no património civilizacional do país.

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