Portugal nos oitavos com a Espanha: Gonçalo Ramos salva uma noite difícil em Toronto
Portugal está nos oitavos de final do Mundial 2026 depois de vencer a Croácia por 2-1 em Toronto, com golo de Gonçalo Ramos aos 90+4 minutos. Na segunda-feira, a Espanha espera em Arlington. O problema é que Portugal chegou a este ponto a desiludir mais do que a convencer.
Portugal passou. Mas passou a custo, a sofrimento e a muito mais mérito da Croácia do que o resultado sugere. O golo de Gonçalo Ramos aos 90+4 transformou uma eliminação anunciada em qualificação dramática. Perisic tinha adiantado a Croácia aos 53 minutos, Ronaldo empatou de penálti aos 68, e quando a Croácia ainda chegou a marcar, mas o golo de Gvardiol foi anulado por fora de jogo de Pasalic. Foi um empate emocional ao intervalo, com Portugal a criar raras oportunidades claras num primeiro tempo sem golos.
A noite ficou marcada também por um momento de enorme significado simbólico: no final, Portugal assinalou um ano da morte de Diogo Jota, com Cristiano Ronaldo a usar a camisola do avançado que morreu tragicamente há um ano.
O que a noite de Toronto revelou
A Seleção Nacional que chegou a Toronto não é a mesma que goleou o Uzbequistão por 5-0. Contra a Croácia, como já tinha acontecido com a RD Congo e a Colômbia, Portugal revelou as fragilidades que a imprensa internacional identificou ao longo de toda a fase de grupos: defensivamente vulnerável, ofensivamente dependente de momentos individuais e sem o domínio coletivo que se esperaria de uma equipa com este talento.
João Neves e Rafael Leão foram titulares, e foram dos melhores em campo. Gonçalo Ramos foi o herói. Mas o grande foco de discussão continua a ser Cristiano Ronaldo, incompreensivelmente considerado melhor em campo pela FIFA, a mesma que ofereceu a Trump uma espécie de Nobel da Paz.
A questão que não desaparece
Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo chegou a Toronto com o peso de um Mundial na carreira que pode ser o último. Contra a Croácia, o seu jogo foi mais ativo do que contra a Colômbia, marcou de penálti, viu um golo anulado por fora de jogo por margem mínima e foi parte da noite. Mas a Euronews resumiu bem o padrão desta fase de grupos: contra a Colômbia, Ronaldo fez apenas 35 toques na bola, dois deles na área adversária, três remates com apenas um enquadrado.
A análise da imprensa internacional foi constante ao longo do torneio: Ronaldo apaga-se perante adversários de maior exigência, ao contrário do que acontece com Messi, Mbappé, Haaland e Kane, que carregam as respetivas seleções nas noites difíceis.
A questão não é ingratidão. É futebol. Portugal tem jovens capazes de carregar o jogo ofensivo e a dependência de Ronaldo como referência única do ataque é uma vulnerabilidade real num torneio que vai ficando mais difícil a cada jornada.
O adversário: Espanha, a mais provável campeã
A Espanha venceu a Áustria por 3-0 e chega aos oitavos na condição de grande favorita ao título. Com Lamine Yamal, Pedri, Rodrigo e uma geração que combina experiência com jovialidade, La Roja tem o melhor coletivo do torneio. O confronto está marcado para segunda-feira, 6 de julho, em Arlington, nos Estados Unidos, às 14h00 locais, 20h00 em Lisboa.
Portugal venceu a Espanha em dois dos últimos cinco encontros diretos, mas a forma atual das duas seleções não deixa dúvidas sobre quem parte favorita. Portugal precisará de ser muito mais consistente do que foi em Toronto, e de encontrar soluções coletivas que não dependam de momentos individuais de génio.
Gonçalo Ramos pode ser a chave. O avançado do AC Milan, que ainda vai encontrar os colegas com quem irá jogar depois do Mundial, foi a figura da noite em Toronto. É jovem, está em forma e tem o perfil de quem marca nos momentos que contam. Se Portugal tem alguma hipótese contra a Espanha, passa por este tipo de jogo.