APAF formaliza participação disciplinar contra Benfica e Rui Costa após críticas em Famalicão
APAF formaliza participação disciplinar contra Benfica e Rui Costa após críticas à arbitragem em Famalicão.
As instâncias disciplinares do futebol português ganham novo fôlego após o tenso desfecho da partida entre o Famalicão e o Benfica. A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) formalizou, nesta segunda-feira, a anunciada participação disciplinar contra a SAD encarnada e o seu presidente, Rui Costa. Em causa estão as declarações proferidas no final do encontro da 32.ª jornada da I Liga, que terminou com um empate a duas bolas.
“Ninguém tem direito para decidir quem ganha o campeonato e quem vai à Liga dos Campeões” (Rui Costa)
A origem da queixa: As palavras de Rui Costa
A indignação de Rui Costa em Famalicão serve de base à denúncia. O dirigente máximo do Benfica visou diretamente o árbitro Gustavo Correia, sugerindo que o juiz da partida atuou com o propósito de prejudicar a equipa. “Ninguém tem direito para decidir quem ganha o campeonato e quem vai à Liga dos Campeões sem ser os jogadores e os treinadores dentro do campo”, afirmou o presidente, apontando falhas em lances como o canto que antecedeu o segundo golo famalicense e a interpretação de lances de bola na mão.
Para a APAF, estas declarações ultrapassam a crítica técnica e entram no domínio do ataque à honra e à integridade dos agentes de arbitragem. A associação, liderada por Luciano Gonçalves, reitera a sua política de “tolerância zero” perante insinuações de má-fé que, no seu entendimento, visam apenas condicionar a estrutura da arbitragem nacional.
O caminho jurídico e as possíveis sanções
O caso transita agora para as mãos do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol. Com a abertura do processo, inicia-se uma fase de instrução onde serão analisados os relatórios oficiais dos delegados, as imagens televisivas e os argumentos apresentados pela queixa e as implicações para a estrutura encarnada dividem-se em dois eixos.
- • A SAD do Benfica: Poderá ser punida com uma coima que, por norma, oscila entre os 2.500 e os 10.000 euros, caso se comprove a violação dos deveres de correção.
- • Rui Costa: O presidente arrisca suspensão efetiva. De acordo com o Regulamento Disciplinar da Liga, este tipo de infração costuma resultar em impedimentos que podem ir de 15 dias a vários meses, dependendo da gravidade e do histórico disciplinar do dirigente.
Pressão desportiva e silêncio oficial
O incidente surge numa altura crítica da temporada, em que o Benfica tenta segurar o segundo lugar do campeonato e a consequente vaga na Liga dos Campeões. Este cenário de incerteza desportiva aumenta a sensibilidade em torno de qualquer decisão disciplinar que possa afastar o presidente do banco ou do contacto direto com a equipa nos jogos decisivos que restam.
Até ao momento, o Benfica optou pelo silêncio institucional. Não houve, através dos canais oficiais do clube, qualquer reação à participação da APAF. Fontes ligadas ao clube sugerem que a linha de defesa passará pela proteção do direito à liberdade de expressão e pela apresentação dos erros de arbitragem como fator atenuante para a reação emocional do dirigente.
O Conselho de Disciplina deverá pronunciar-se nos próximos dias sobre a aceitação da queixa e a eventual aplicação de medidas preventivas, num caso que promete marcar o encerramento da época desportiva.