FADU no Parlamento: O grito de alerta pelo futuro do desporto universitário
A FADU apresentou no Parlamento um diagnóstico crítico sobre o desporto universitário: 61% das faculdades não têm instalações próprias.
O desporto universitário em Portugal vive um momento de contradição profunda. Por um lado, o número de praticantes não pára de crescer, aproximando-se da barreira mítica dos 10 mil estudantes-atletas. Por outro, as fundações que sustentam este crescimento estão presas por arames. Nesta quarta-feira, 1 de abril de 2026, a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) levou este diagnóstico à Assembleia da República, exigindo uma mudança de paradigma política e financeira.
Um diagnóstico severo na Assembleia da República
Na audição parlamentar perante a Comissão de Comunicação, Cultura, Juventude e Desporto, Diogo Salgado Braz, presidente da FADU, foi perentório. O estudo apresentado revela que o setor enfrenta uma “carência estrutural severa”. Apesar do entusiasmo dos alunos, o sistema público e privado de ensino superior falha na base.
Os dados apresentados aos deputados são claros e preocupantes:
- • 61% das Instituições de Ensino Superior (IES) não possuem instalações desportivas próprias.
- • 89% das instituições dependem totalmente de parcerias externas para garantir qualquer prática desportiva regular.
- • Apenas 46% das faculdades manifestam satisfação com o atual nível de financiamento público.
- • Cerca de 65,8% dos responsáveis apontam a falta de recursos humanos como um entrave crítico.
Esta dependência de terceiros cria um efeito dominó negativo. Os estudantes enfrentam horários restritivos, espaços muitas vezes degradados e uma irregularidade que compromete a conciliação entre as aulas e o treino.
Medidas urgentes: Financiamento e saúde mental
A FADU não foi ao Parlamento apenas para apresentar queixas. O documento entregue aos grupos parlamentares foca-se em três eixos fundamentais para inverter o cenário de subfinanciamento. Primeiro, a criação urgente de uma linha de financiamento dedicada exclusivamente à construção e reabilitação de infraestruturas desportivas nas universidades e politécnicos.
Em segundo lugar, a federação defende que o desporto deve ser integrado nas políticas públicas de saúde mental. Existe um “desfasamento gritante” entre a importância reconhecida da atividade física para o bem-estar dos jovens e a dotação orçamental que lhe é atribuída. Finalmente, exige-se que o desporto universitário deixe de ser um “parente pobre” e passe a figurar no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento desportivo.
Impacto no sucesso académico
Para Diogo Salgado Braz, o desporto não é um mero acessório da vida académica. É uma ferramenta de inclusão e sucesso. A falta de investimento condiciona a democratização do acesso, impedindo que mais estudantes beneficiem do modelo de estudante-atleta. O dirigente sublinhou que, sem uma resposta política robusta e uma articulação efetiva entre o Ministério da Educação, Ciência e Inovação e as secretarias de Estado do Desporto, o potencial do setor continuará por explorar.