Taiwan alerta para aumento dos destacamentos navais chineses no Pacífico
A Marinha chinesa mantém destacadas quatro forças-tarefa navais no Pacífico Ocidental, afirmou hoje o diretor do Gabinete de Segurança Nacional (NSB) de Taiwan, Tsai Ming-yen, que alertou para uma “tendência crescente” deste tipo de destacamentos.
Em declarações citadas pela agência noticiosa CNA, Tsai afirmou que uma das forças navais chinesas se encontra atualmente no Pacífico Sul, duas operam a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e uma quarta está posicionada em águas a nordeste das Filipinas.
O responsável salientou que o período entre julho e setembro corresponde à “época alta” dos exercícios e treinos militares de rotina do Exército chinês, em particular ao nível dos teatros de operações, acrescentando que o NSB acompanha “de perto” a evolução destes movimentos.
“O Gabinete observará se os exercícios de rotina da China este ano apresentam alguma particularidade e compará-los-á com manobras anteriores para detetar possíveis novos padrões”, explicou.
As declarações surgem dois dias depois de o secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, ter afirmado que Pequim mobilizou um número “recorde” de mais de 110 navios da Marinha e da Guarda Costeira ao longo da primeira cadeia de ilhas.
A primeira cadeia de ilhas corresponde à linha de arquipélagos que se estende do Japão às Filipinas, passando por Taiwan, e separa os mares costeiros chineses do oceano Pacífico.
“A mobilização marítima em grande escala da China ao longo da primeira cadeia de ilhas é um sinal claro do seu expansionismo (…). Este valentão tem dinheiro para gastar indiscriminadamente, mas nada para o seu próprio povo”, escreveu Wu na rede social X.
Estes movimentos coincidem com o aumento das patrulhas da Guarda Costeira chinesa em águas a leste de Taiwan — a mais recente iniciada no sábado –, que suscitaram protestos de Taipé e de vários países europeus, que consideram estas operações uma ameaça à estabilidade regional.
Na semana passada, o Governo chinês defendeu que estas operações são “razoáveis, legais, legítimas e necessárias” e acusou o Japão e as Filipinas de violarem o direito internacional e de atentarem contra os direitos marítimos da China na região.
O ministério da Defesa Nacional de Taiwan detetou no mês passado mais de uma centena de embarcações oficiais chinesas nas imediações da ilha e contabilizou já cerca de 30 este mês.
Entretanto, o Ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as Marinhas da China e da Rússia vão realizar exercícios militares durante este mês nas águas e no espaço aéreo chineses, aos quais se seguirá uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do oceano Pacífico.
JPI // APL
By Impala News / Lusa