SOS Racismo defende tutela penal mais apertada contra racismo

A Associação SOS Racismo criticou as recentes alterações feitas à Lei contra a Discriminação Racial, defendendo que as contraordenações previstas sejam usadas na criação de uma tutela penal mais completa no combate ao racismo.

SOS Racismo defende tutela penal mais apertada contra racismo

Lisboa, 20 fev (Lusa) — A Associação SOS Racismo criticou hoje as recentes alterações feitas à Lei contra a Discriminação Racial, defendendo que as contraordenações previstas sejam usadas na criação de uma tutela penal mais completa no combate ao racismo.


O Governo aprovou, a 09 de fevereiro, alterações à lei que trazem não só mais poderes para a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), mas também novas formas de discriminação ou litígios resolvidos por mediação.


Alterações que para a SOS Racismo não só chegam tarde, como não trazem mais eficácia na luta contra o racismo ou melhor proteção das vítimas, lembrando que esta é uma luta de quase 20 anos.


Em comunicado, a SOS Racismo diz que as alterações “não representam o avanço desejado” porque não vão no sentido da criminalização do racismo, sendo este o caminho que a associação entende que deveria ser feito para “uma maior capacidade dissuasiva e uma efetiva proteção das vítimas”.


Nesse sentido, a associação aproveita para propor que as atuais contraordenações previstas na lei sejam usadas para “densificar previsões criminais ou penais típicas”.


“Em suma: não às ‘contraordenações’ de racismo e sim ao aproveitamento de vários dos seus elementos normativos para criar uma tutela penal mais completa no combate cultural e civilizacional contra a discriminação racial”, lê-se no comunicado.


Por outro lado, num balanço dos 20 anos de implementação da lei, a SOS Racismo entende que a legislação contra a discriminação racial “revelou-se insuficiente, ineficaz e completamente desadequada com a realidade”.


“A ineficácia da lei e dos instrumentos da sua aplicação, nomeadamente, a inoperância da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial — CICDR, favoreceram a impunidade que grassa na sociedade e nas instituições”, aponta.


Lembra que a “secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade havia prometido uma discussão pública ampla”, mas afirma que “nem a sociedade civil nem as vítimas puderam dar o seu contributo no âmbito de uma discussão mais alargada, como era desejável”.


“O Alto-comissário para as Migrações e o Governo perderam a oportunidade de ir mais longe nestas alterações agora introduzidas e, de facto, falharam na forma e no conteúdo”, critica a associação.


A associação mantém, por isso, a sua intenção de continuar a lutar pela criminalização do racismo e é nesse contexto que vai ser apresentado o livro “Racismo e Discriminação — A lei da Impunidade”, no dia 22, na Assembleia da República.


SV // JMR

By Impala News / Lusa

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