Brasil: Área ocupada por favelas cresce 275 vezes em 40 anos
As favelas no Brasil quase triplicaram desde 1985. Descubra os dados alarmantes sobre o crescimento urbano precário e as áreas de risco.
O crescimento das favelas no Brasil superou o ritmo da própria urbanização do país nas últimas quatro décadas. Entre 1985 e 2024, a área ocupada por estes aglomerados informais cresceu 2,75 vezes, segundo dados do MapBiomas. O fenómeno revela um desequilíbrio profundo entre o desenvolvimento económico e o acesso a habitação digna.
O mapa da desigualdade no Brasil
Em 1985, as favelas ocupavam cerca de 53,7 mil hectares de território brasileiro. No ano de 2024, esse número saltou para 146 mil hectares, uma área que equivale a 16 vezes o tamanho da cidade de Lisboa. Enquanto a mancha urbana geral do país cresceu 2,5 vezes no mesmo período, as favelas avançaram de forma muito mais agressiva.
As cidades que lideram o ranking de expansão:
– Manaus, que mantém a maior extensão de favelas no país.
– São Paulo, que subiu da quarta para a terceira posição em área ocupada.
– Brasília, onde se situam quatro das cinco favelas que mais cresceram, incluindo a Sol Nascente.
– Rio de Janeiro, que apesar de ter caído para o quinto lugar no ranking de extensão, viu a sua área de favelas aumentar 1,5 vezes.
Perigo nas encostas e margens de rios
Este avanço não é apenas quantitativo, mas também um risco direto para a vida humana. O estudo indica que a ocupação em áreas de risco climático, como encostas suscetíveis a deslizamentos e margens de rios sujeitas a cheias, triplicou no Brasil.
O descompasso entre o crescimento das cidades e a infraestrutura básica é evidente. Muitas destas novas áreas urbanizadas enfrentam escassez hídrica severa, afetando milhões de pessoas que vivem sem saneamento ou água potável regular.
Casos semelhantes na América Latina
A situação brasileira encontra paralelo em outros países da região, onde a urbanização acelerada e sem planeamento criou cinturões de pobreza persistentes.
– Na Colômbia, as comunas de Medellín passaram por processos de transformação, mas ainda lutam contra a informalidade.
– Na Argentina, as “Villas Miseria” em Buenos Aires continuam a expandir-se, apesar de diversos planos de integração urbana.
– No México, a periferia da Cidade do México apresenta desafios idênticos de falta de serviços básicos em terrenos de alta declividade.
A expansão das favelas no Brasil é um sinal de alerta para as autoridades. O crescimento em direção a zonas de risco, aliado às alterações climáticas, coloca estas populações numa situação de vulnerabilidade extrema que exige políticas públicas de habitação urgentes.