Xi criticou duramente “remilitarização” do Japão durante cimeira com Trump – FT
O Presidente chinês, Xi Jinping, criticou duramente a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, pela “remilitarização” do Japão durante a cimeira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de maio, reportou o jornal Financial Times.
Citando várias fontes não identificadas com conhecimento da cimeira, o jornal apontou que, durante o encontro, Xi se tornou particularmente vocal e agitado ao abordar o Japão, surpreendendo responsáveis norte-americanos, já que o tema não tinha surgido nas conversações anteriores com os homólogos chineses.
Várias fontes afirmaram ao FT que o ataque verbal de Xi foi o momento mais acalorado da cimeira que ocorreu de 14 a 15 de maio.
Após Xi ter criticado Takaichi e o aumento das despesas de defesa japonesas, Trump respondeu que Tóquio precisava de assumir uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte.
Christopher Johnstone, antigo responsável da Casa Branca para o Japão, disse ao jornal que a “abordagem cáustica” de Xi e o esforço para explorar o desejo de Trump por relações estáveis entre EUA e China apenas reforçaram a aposta de Tóquio na autossuficiência em matéria de segurança.
“É notável a falta de autoconsciência de Xi. As suas próprias ações estão a acelerar o surgimento de um Japão muito mais forte”, afirmou Johnstone.
Segundo o analista, a “retórica anti-Japão da China não tem eco fora das suas fronteiras”, comentando que Tóquio está a reforçar laços de segurança com parceiros regionais — incluindo Austrália, Filipinas e até Coreia do Sul — todos “mais preocupados com uma China agressiva do que com um Japão em remilitarização”.
Desde 2023, o Japão tem descrito as atividades militares chinesas como o “maior desafio estratégico” do país, à frente da ameaça da Coreia do Norte, manifestando “séria preocupação” com o aprofundamento da cooperação militar entre China e Rússia.
As relações entre Pequim e Tóquio deterioraram-se desde novembro, quando a China reagiu com indignação às declarações de Takaichi no Parlamento nipónico de que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “ameaça existencial” para o Japão, justificando o recurso às suas forças armadas.
Desde então, Pequim tem mantido um tom constante de ataques ao Japão, combinando retórica com medidas concretas, como restrições às exportações de terras raras.
Na sexta-feira passada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que o Japão aumentou em 2025 a despesa militar em 9,7%.
“Apesar de o orçamento de defesa japonês ter aumentado durante 14 anos consecutivos, as forças de direita continuam a exigir mais gastos”, acrescentou, acrescentando que a “máscara de ‘país pacífico’ do Japão está a cair e que o país desliza para o neo-militarismo”.
A China, o segundo país com o maior volume de despesas militares, aumentou em 2025 a despesa em 7,4%, para 336 mil milhões de dólares (288,9 mil milhões de euros), o 31.º aumento anual consecutivo, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI).
O Japão, no mesmo ano, gastou 62 mil milhões de dólares (53,3 mil milhões de euros).
Um alto responsável norte-americano, que o FT também não identifica, disse que Trump “sublinhou o profundo respeito pelo povo japonês e a sua relação pessoal próxima com a primeira-ministra Takaichi”. A delegação dos EUA lembrou ainda aos homólogos chineses a forte presença militar norte-americana no Japão.
O jornal noticiou também que Washington informou este mês o Japão de atrasos significativos na entrega de 400 mísseis Tomahawk encomendados em 2024.
O FT contactou a embaixada chinesa em Washington, que não comentou as alegadas declarações de Xi, mas afirmou que “forças de direita japonesas” tentam “abalar os alicerces da paz regional”.
O gabinete da primeira-ministra japonesa recusou oferecer comentários sobre o incidente reportado pelo FT.
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By Impala News / Lusa