UE assina parcerias de segurança e defesa com Austrália, Gana e Islândia – Kallas

A UE vai assinar, nos próximos dias, parcerias de segurança e defesa com Austrália, Gana e Islândia, cruciais no atual contexto internacional, anunciou hoje a chefe da diplomacia dos 27.

UE assina parcerias de segurança e defesa com Austrália, Gana e Islândia - Kallas

Kaja Kallas afirmou, num discurso na conferência anual dos embaixadores da UE, em Bruxelas, que as duas “crises globais mais preeminentes”, numa referência às guerras no Irão e na Ucrânia, estão “diretamente relacionadas porque partilham a mesma fundação: a erosão do direito internacional”.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança destacou que se está a assistir “ao enfraquecimento de normas, regras e instituições internacionais que foram construídas nos últimos 80 anos”.

Kallas afirmou que, se não se restaurar o direito internacional, o mundo está “condenado à disrupção e ao caos”.

“O nosso grau de sucesso [para restaurar o direito internacional] depende de duas coisas: primeiro, conseguirmos cumprir as nossas prioridades. Segundo, mobilizarmos apoio internacional”, disse.

Neste contexto, a chefe da diplomacia da UE salientou que o desenvolvimento de parcerias é particularmente importante “para a capacidade de resistência da Europa enquanto força global para o bem”, salientando que, quanto mais parceiros conseguir mobilizar, mais hipóteses tem de “superar as forças que procuram moldar o mundo à sua vontade”.

Kallas considerou que a atual oferta da UE para os parceiros internacionais é “muito mais ampla do que alguma vez foi”, referindo que, em termos de segurança, tem uma “parceria estratégica de longa data com a NATO”, mas também nove parcerias com países na Europa, na Ásia e na América do Norte.

“No final desta semana, assinarei a décima parceria com a Austrália e, nos dias seguintes, outras com Islândia e Gana. Temos ainda muitos outros países interessados que estão a bater à nossa porta”, salientou.

A chefe da diplomacia da UE referiu que “um número crescente de países está a tentar diversificar as suas parcerias para gerir um contexto de riscos acrescidos”, salientando que, como a UE, “procuram estabilidade e ações coletivas para responder a desafios comuns”.

“Como nós, aprenderam que dependências tornam-nos mais fracos e dão uma influência indevida a quem quer dividir o mundo em esferas de influência. E, como nós, compreendem que uma ordem internacional baseada em regras é vital para evitar a anarquia”, afirmou.

A UE tem atualmente parcerias de segurança e Defesa com Índia, Canadá, Reino Unido, Albânia, Macedónia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Noruega e Moldova, todas assinadas a partir de 2024.

Estas parcerias visam reforçar a cooperação e coordenação da UE com países considerados próximos em áreas que vão da Defesa, às ameaças híbridas, contraterrorismo, gestão de crises ou segurança marítima, cibernética e espacial.

Neste discurso, a chefe da diplomacia da UE abordou ainda a guerra no Irão, sublinhando tratar-se de outro conflito que “traz incerteza e caos” e sem fim previsível à vista, apesar de saudar o enfraquecimento do regime iraniano.

“O Irão é responsável por décadas de violência e quanto menos opções tiver para aterrorizar a região, melhor. O regime está mais fraco do que esteve durante muitos anos, mas não há uma perspetiva clara sobre como é que esta guerra vai terminar”, referiu.

Kallas avisou que “o Médio Oriente tem muito a perder com qualquer guerra prolongada”.

“Assim como a Europa e o mundo. Por isso é que a UE continua a apelar a todas as partes envolvidas para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem o direito internacional”, disse.

TA // EJ

By Impala News / Lusa

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