Síria: Novos protestos exigem responsabilização dos apoiantes de Assad
Dezenas de sírios voltaram a manifestar-se hoje à noite em Damasco, para exigir a responsabilização dos apoiantes do presidente deposto Bashar al-Assad, num país que ainda está a recuperar de anos de guerra civil.
As novas autoridades sírias, que iniciaram um processo de justiça de transição, têm vindo a emitir repetidos alertas contra quaisquer “atos de vingança” sob o pretexto de justiça.
Vídeos nas redes sociais, confirmados por moradores e pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), mostraram dezenas de manifestantes em Mazzeh 86, um bairro predominantemente alauita em Damasco, a comunidade a que pertence o clã Assad.
Alguns manifestantes atacaram lojas e veículos, entoando ‘slogans’ sectários.
Outros, em frente a uma mesquita num distrito vizinho, exigiram a expulsão dos antigos milicianos das suas casas, o que levou as forças de segurança a intervir.
O bairro de Ach al-Warwar, nos arredores de Damasco e predominantemente alauita, foi palco de manifestações semelhantes na noite de segunda-feira para terça-feira, segundo um fotógrafo da agência France-Presse (AFP).
Antigos milicianos pró-Assad “obrigaram-nos a sair de autocarro” para campos de deslocados no norte da Síria, contou à AFP um dos manifestantes, Abdel Rahman al-Qadri, de 38 anos, antigo combatente de fações da oposição.
Al-Qadri referia-se às evacuações impostas em algumas zonas controladas pelos rebeldes durante a guerra que começou em 2011 e terminou com a deposição de Bashar al-Assad em 2024.
Várias cidades sírias, incluindo Alepo, Idlib, Deir ez-Zor, Raqqa e Hama, têm sido palco de manifestações há vários dias, com slogans a exigir a responsabilização das milícias pró-regime Shabiha e dos funcionários do antigo regime.
Em algumas zonas, estas manifestações degeneraram em ataques contra pessoas e as suas casas.
Mensagens intimidatórias circularam ‘online’ e em várias províncias sírias, ordenando aos apoiantes do antigo regime que abandonassem as suas casas.
Também circularam vídeos nas redes sociais que mostram pessoas acusadas de ligações ao regime de Assad a serem espancadas na província de Alepo.
O porta-voz do Ministério do Interior, Nour al-Din al-Baba, frisou na segunda-feira que o novo Governo sírio está determinado a levar à justiça os responsáveis pelos crimes cometidos no âmbito do regime de Bashar al-Assad.
O departamento antiterrorismo mantém sob custódia quase 6.000 membros das forças armadas e dos serviços de segurança que serviram sob o comando do presidente deposto, incluindo dezenas de oficiais de alta patente, acrescentou.
O conflito na Síria, que começou em 2011 com a repressão dos protestos pró-democracia, já matou mais de meio milhão de pessoas e desalojou milhões.
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By Impala News / Lusa