REPORTAGEM: Habitantes à espera de ajudas para planearem futuro em Arruda dos Vinhos

Sem teto, os moradores da aldeia do Lapão, em Arruda dos Vinhos, esperam que as ajudas comecem a chegar, depois de o mau tempo e o contínuo deslizamento de terras terem destruído as suas habitações.

REPORTAGEM: Habitantes à espera de ajudas para planearem futuro em Arruda dos Vinhos

“Eu e os animais ficámos sem teto. Não temos nenhuma resposta neste momento. Ninguém me contactou”, conta à agência Lusa Maria Antónia Lisboa, que se encontra de forma temporária a viver em casa de vizinhos.

Na semana passada, Maria Antónia viu ruir a casa emprestada onde morava e de lá não saiu enquanto não garantiu ajuda para si e para os seus animais.

As marcas do mau tempo e do consequente deslizamento continuado de terras estão bem visíveis pela aldeia, com rachas nas estradas, que ficaram intransitáveis, e nas casas, que ficaram inabitáveis, como se um terramoto tivesse por ali passado.

A habitação ficou sem a parede exterior das traseiras e com rachas na da frente.

“Tinha animais e só saí na madrugada de quarta-feira por volta das 03:30. Assisti à casa a desmoronar-se da parte de trás”, relata a moradora, lembrando-se da noite traumática de terça para quarta-feira da semana passada.

Natural do Lapão, Dina Silva ativou o seguro multirriscos da casa, mas nenhum perito se deslocou ainda ao local para avaliar o estado em que ficou a habitação onde morava há 16 anos com o marido e dois filhos.

Mas, uma certeza já tem: “a Proteção Civil veio cá e concluiu que a casa não tem segurança para habitar”.

“A casa foi partindo aos poucos. O jardim e a garagem começaram a desnivelar, tudo à volta da casa começou a partir e a descolar da própria casa. Piorou na noite de sexta para sábado, altura em que a casa não parou de desnivelar. Não está rachada, mas está a deslizar por completo. Neste momento tenho um desnível de um metro”, explicou.

Obrigada a ir para a casa dos pais na aldeia desde o último fim de semana, Dina Silva espera também por outras ajudas mais imediatas a nível de alojamento.

“Os meus pais já têm 80 anos e precisam do sossego deles. As casas são pequenas e nós somos muitos”, diz.

A pagar o investimento ao banco, esta moradora espera mesmo ser ajudada por via do seguro ou de outros apoios que possam sem desencadeados. Caso contrário, vai ser “muito difícil só por si”.

No Lapão, meia dúzia de casas foi atingida e os seus habitantes ficaram desalojados.

“O Lapão está a ficar com poucos habitantes e não sei até que ponto os restantes estão seguros aqui a viver se continuar a chover”, teme Dina Silva.

No concelho de Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, o mau tempo provocou 48 desalojados até ao momento e danificou várias estradas.

De momento, apenas se consegue chegar a Arruda dos Vinhos através da Estrada Nacional 248-3, por Alverca (no concelho de Vila Franca de Xira), havendo aldeias isoladas.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

*** Flávia Calçada (texto), António Pedro Santos (fotos), Pedro Lapinha (vídeo) e Miguel Lopes (drone), da agência Lusa ***

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By Impala News / Lusa

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