PR desafia a “aliança nacional” pela produção em Moçambique
O Presidente moçambicano desafiou hoje empresários e investidores para uma “aliança nacional pelo investimento produtivo” e defendeu que os grandes projetos energéticos devem impulsionar a industrialização, o emprego e o desenvolvimento económico de Moçambique sem “enclaves”.
Ao intervir na abertura do Mozambique CEO Summit 2026, em Maputo, Daniel Chapo defendeu que o país deve transformar o seu potencial económico em benefícios concretos para a população e reforçar o seu papel na integração económica regional.
“O lema escolhido para esta edição do Mozambique CEO Summit, Moçambique como ‘hub’ energético regional, liderando a próxima fronteira de crescimento em África, traduz uma pretensão nacional clara e legítima de Moçambique, de afirmar-se como a plataforma regional de produção, transporte, transformação e comercialização de energia ao serviço da sua industrialização e da integração da África austral”, disse.
Acrescentou que o país dispõe de recursos energéticos, corredores logísticos, portos, recursos minerais e terras aráveis capazes de sustentar uma nova fase de crescimento, mas continua “muito centrada na indústria extrativa”, como carvão, areias pesadas, grafite e gás.
“Nós queremos, desde já, diversificar”, disse, defendendo que os recursos energéticos devem servir prioritariamente o desenvolvimento nacional.
“A nossa aspiração não é ser apenas um país que exporta energia ou matérias-primas, mas usar a energia para produzir mais, transformar mais, empregar mais e competir melhor”, declarou.
Chapo acrescentou que Moçambique deve assumir um papel mais relevante na segurança energética da África austral: “A maioria dos nossos países vizinhos irmãos estão com desafios sérios de energia elétrica e nós temos que dar resposta a esta demanda”.
No discurso, apontou os projetos de gás natural da bacia do Rovuma, os empreendimentos hidroelétricos do vale do Zambeze e o programa Energia para Todos como pilares da estratégia para posicionar Moçambique como polo energético regional.
Contudo, advertiu que os benefícios dos megaprojetos têm de chegar à economia.
“Os grandes investimentos devem criar ligações reais com a economia nacional, abrir oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas moçambicanas, transferir conhecimento, respeitar as comunidades locais, proteger o ambiente e obedecer à legislação nacional”, afirmou.
Perante dezenas de empresários nacionais e estrangeiros, o Presidente apelou à mobilização conjunta do Estado, setor privado e parceiros de desenvolvimento: “Precisamos de uma aliança nacional pelo investimento produtivo, pela industrialização, pela criação de emprego, pela valorização do capital humano e pela integridade na gestão de recursos públicos e privados”.
Chapo rejeitou um modelo de “desenvolvimento de enclaves, onde a riqueza convive com a exclusão”, defendendo “uma economia de ligações entre os grandes investimentos e as micro, pequenas e médias empresas”.
Na mensagem ao setor privado, Daniel Chapo afirmou que o Governo pretende melhorar o ambiente de negócios e reforçar a competitividade da economia.
“O nosso compromisso não é apenas anunciar reformas, mas assegurar que elas sejam sentidas na vida das empresas e na vida de cada moçambicano”, afirmou, garantindo que o Governo vai continuar a simplificar procedimentos, reduzir barreiras burocráticas, combater a corrupção, reforçar a integridade institucional e enfrentar fenómenos que afetam o investimento, incluindo os raptos.
Chapo defendeu também uma transição energética compatível com as necessidades de desenvolvimento de África.
“Uma transição energética justa, que concilie a urgência climática com o direito ao desenvolvimento. África não pode ser chamada a escolher entre proteger o ambiente e retirar milhões de pessoas da pobreza. Temos de fazer as duas coisas”, afirmou.
Na sessão de abertura foi igualmente homenageado o empresário moçambicano Fernando Leite Couto pelo seu contributo para o desenvolvimento do setor privado nacional.
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By Impala News / Lusa