Organização documenta mais de 175 novos presos políticos em Cuba

A Prisoners Defenders declarou hoje ter documentado mais de 175 novos presos políticos em Cuba no primeiro semestre de 2026, dos quais 114 foram encarcerados por exercerem direitos de reunião, associação e liberdade de expressão.

Organização documenta mais de 175 novos presos políticos em Cuba

Num relatório agora divulgado, a organização não-governamental (ONG) referiu que dos 114 presos políticos, 79 casos estão relacionados com protestos ou manifestações pacíficas, 22 com vigilância digital e perseguição nas redes sociais e 13 estão associados a outras formas de repressão política.

O estudo acrescentou que, destes 114 reclusos, nove são jovens entre os 15 e os 17 anos.

O relatório referiu que os dados de junho ainda não foram finalizados, mas a lista total de presos políticos, atualizada regularmente, já ultrapassa as 1.300 pessoas.

Em relação às 13 pessoas detidas por “outras formas de repressão política”, o relatório da Prisoners Defenders – produzido em conjunto com a ONG Consorcio Justicia – explicou que esta categoria inclui “ativistas e cidadãos reprimidos pela participação em organizações independentes, por manterem contactos com ONG e atores internacionais, ou por exercerem atividades consideradas contrárias aos interesses do regime”.

A investigação analisou os padrões repressivos de detenção e prisão entre janeiro e junho de 2026. Além disso, avalia a relevância na véspera do quinto aniversário dos protestos sociais que começaram em 11 de julho de 2021 (11J), os maiores registados na ilha em décadas.

Os números do relatório, segundo a Prisoners Defenders, “refletem que a repressão implementada em Cuba depois de 11 de julho não foi uma resposta excecional a uma crise específica, mas sim a consolidação de uma política contínua destinada a prevenir futuras mobilizações cidadãs”.

“Os dados sugerem que o regime não reduziu a capacidade repressiva. Pelo contrário, aumentou os mecanismos de monitorização, identificação e punição da dissidência”, acrescentou o estudo.

De acordo com o relatório, “o regime cubano, evidentemente, transferiu parte da capacidade repressiva de reação aos protestos para a identificação preventiva de cidadãos críticos através da vigilância digital, da monitorização territorial e da criminalização preventiva”.

Mais de 2.100 presos políticos estiveram nas prisões cubanas entre 01 de julho de 2021 e fim deste mês.

CSR // EJ

By Impala News / Lusa

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