ONU espera iniciar em junho “verdadeira negociação de paz” para a Síria

O mediador da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, declarou que a mais recente ronda de diálogo realizada em Genebra definiu as bases para se poder iniciar em breve “uma verdadeira negociação de paz”.

ONU espera iniciar em junho

Nações Unidas, Nova Iorque, 22 mai (Lusa) — O mediador da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, declarou hoje que a mais recente ronda de diálogo realizada em Genebra definiu as bases para se poder iniciar em breve “uma verdadeira negociação de paz”.


“Demos mais um passo para preparar o terreno para uma verdadeira negociação, que espero seja possível a breve trecho”, disse De Mistura ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.


O diplomata deixou claro que “continua a haver muito por fazer” e “grandes divergências” entre as partes em aspetos fundamentais.


No entanto, considerou que os progressos feitos na sexta ronda de conversações, concluída na passada sexta-feira, elevaram as expectativas.


Segundo De Mistura, tanto o Governo como a oposição mostraram-se recetivos à sua intenção de convocar uma sétima ronda de negociações para junho.


Entre outras coisas, o mediador destacou que, pela primeira vez, todas as partes concordaram que se continue a trabalhar ao nível dos especialistas à margem das reuniões oficiais.


De Mistura argumentou que o trabalho dos especialistas não vai substituir as negociações formais, mas tentará aprofundar aspetos importantes abordados no diálogo para apresentar diversas opções.


O enviado especial da ONU para o conflito instou todos os atores, tanto sírios como internacionais, a prosseguirem os esforços para avançar na direção de uma solução política para a guerra civil que há seis anos devasta o país.


Para o responsável, ainda é necessário um maior “consenso internacional” e regional no futuro e que “os sírios vão além da retórica, dos pontos de partida e tentativas de deslegitimar o outro e entrem num verdadeiro processo de negociação”.


Sobre a situação no terreno, o enviado da ONU disse no Conselho de Segurança que a criação de zonas seguras, impulsionada em Astana pela Rússia, o Irão e a Turquia, se traduziu numa “redução significativa” da violência na maior parte dessas áreas.


Contudo, as hostilidades prosseguem em algumas zonas, o que gera preocupação com os civis encurralados entre as frentes de combate, pelo que reiterou o seu apelo para o respeito de um cessar-fogo em todo o país.


No total, seis séries de negociações indiretas foram organizadas por De Mistura desde 2016 junto ao lago Léman, sem se conseguir chegar a uma solução para pôr fim ao conflito, tendo o diálogo “encalhado”, de todas as vezes, no destino a dar ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, cujo abandono do poder a oposição exige.


Em seis anos, a guerra fez mais de 320.000 mortos, deslocou mais de metade da população síria e destruiu a economia e as infraestruturas do país.



ANC // ANP

By Impala News / Lusa

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