Guiné-Bissau: Defesa alerta para “condições precárias” de Simões Pereira na cadeia
O porta-voz da equipa de advogados do opositor guineense Domingos Simões Pereira alertou hoje para as condições precárias da cela onde este se encontra detido preventivamente há dez dias, acusado de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado.
Numa entrevista exclusiva à Rádio Capital FM de Bissau e transmitida em direto nas redes sociais do órgão, Roberto Indeque assinalou “a profunda preocupação” com a saúde de Simões Pereira, alertando que aquele já conta mais de 60 anos.
Segundo o advogado, o líder político encontra-se “num espaço com condições de salubridade precárias”, uma situação agravada pelo atual período de chuvas, o que coloca em risco a sua integridade física.
“Domingos Simões Pereira, com mais de 60 anos, apresenta uma fragilidade de saúde que requer cuidados especializados, incompatíveis com o regime de detenção atual”, afirmou Roberto Indeque.
O advogado indicou que, desde a sua colocação em prisão preventiva, no passado dia 10, a defesa apresentou um conjunto de recursos, dos quais resultou a autorização para o político receber visitas de familiares e da defesa, e outros ainda não tiveram resposta.
“Entregámos vários requerimentos ao Juiz de Instrução Criminal (JIC), entre os quais um pedido para que pondere a libertação, tendo em conta a sua idade e a sua condição clínica”, afirmou Roberto Indeque.
O porta-voz revelou que a defesa solicitou formalmente ao JIC autorização para que uma enfermeira pudesse proceder à recolha de amostras de sangue para análise laboratorial em Lisboa, um pedido que, até ao momento, não obteve autorização.
Roberto Indeque sublinhou que Simões Pereira deveria submeter-se a consultas de rotina em Lisboa desde o mês de fevereiro, mas, por naquela altura estar em prisão domiciliária, não conseguiu viajar para o estrangeiro.
Para a equipa jurídica, a atual prisão preventiva de Pereira “é desprovida de fundamentos legais e visa exclusivamente a humilhação e o afastamento forçado do político do jogo democrático”.
Roberto Indeque traçou um paralelo com outros contextos na sub-região, onde acusações de natureza criminal são frequentemente utilizadas como instrumentos para neutralizar figuras da oposição que incomodam o regime.
“A comunidade internacional, que tem representantes em Bissau, está ciente de que se trata de uma estratégia para retirar, pela força, Domingos Simões Pereira do espaço político”, reforçou Indeque, destacando que a situação tem gerado um crescente movimento de solidariedade.
Até ao momento, as autoridades judiciais não se pronunciaram sobre as alegações apresentadas pela defesa relativamente às condições de saúde e ao estado do processo.
A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes em novembro de 2025.
Na sequência dessa ação dos militares, Domingos Simões Pereiras foi detido e passou mais de 60 dias na Segunda Esquadra, de onde saiu no dia 31 de janeiro para a sua residência sob vigilância policial.
Em junho, foi conhecido o despacho judicial em que Simões Pereira foi acusado de financiar e apoiar logisticamente uma alegada tentativa de golpe de Estado.
O Ministério Público requereu a alteração da medida de coação do termo de identidade e residência para a mais gravosa, a prisão preventiva, decretada a 10 de julho pelo juiz de instrução criminal.
Com a tomada do poder pelo Alto Comando Militar, o general Horta Inta-a foi nomeado Presidente guineense de transição.
O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano, culminando com a realização de novas eleições legislativas e presidenciais no dia 06 de dezembro.
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By Impala News / Lusa