Empresários moçambicanos querem relação com China baseada na produção conjunta

Empresários moçambicanos defenderam hoje a evolução das relações económicas com a China para um modelo assente na produção conjunta, industrialização e transferência de conhecimento, permitindo uma maior integração das empresas nacionais nos investimentos chineses.

Empresários moçambicanos querem relação com China baseada na produção conjunta

“Entendemos que a relação económica entre Moçambique e a China deve evoluir progressivamente de uma relação baseada apenas na troca de bens e no investimento para uma relação assente também na produção conjunta, na criação de cadeias de valor e na transferência de conhecimento e tecnologia”, disse Amâncio Gume, vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), em Maputo.

Falando durante a receção de uma delegação chinesa, no âmbito do intercâmbio de empresas para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, o responsável destacou que a complementaridade entre as duas economias cria condições para uma cooperação mais abrangente, tendo em conta que Moçambique dispõe de recursos naturais, localização estratégica e oportunidades de investimento, enquanto a China tem capital, tecnologia, capacidade industrial e experiência empresarial.

“Acreditamos que existe uma forte complementaridade entre as duas economias. Moçambique possui recursos, localização estratégica e oportunidades de investimento, enquanto a China possui capital, tecnologia, capacidade industrial, conhecimento e experiência empresarial”, declarou.

Segundo o dirigente empresarial, é nessa complementaridade que devem ser construídas parcerias empresariais de longo prazo, com benefícios mútuos e maior integração das empresas moçambicanas, já que o objetivo da cooperação económica com o país asiático não deve limitar-se ao aumento das trocas comerciais entre os dois países.

“O nosso interesse não é apenas aumentar o volume do comércio, mas garantir que uma parte crescente do valor criado a partir das oportunidades existentes em Moçambique seja produzida no próprio país, com maior participação das empresas moçambicanas”, assinalou Gume.

Para a associação empresarial, o país tem agora o grande desafio de transformar localmente uma parte crescente dos recursos e matérias-primas produzidos no país.

“O nosso desafio é passar de uma economia que exporta principalmente matérias-primas para uma economia que transforma, acrescenta valor e desenvolve produtos e serviços competitivos para os mercados nacional, regional e internacional”, afirmou.

Amâncio Gume destacou, por isso, que além dos setores tradicionalmente associados aos recursos naturais, os empresários identificaram igualmente grandes oportunidades de cooperação com a China nas áreas da agroindústria, energia, logística, transportes, construção, indústria transformadora, economia digital, comércio e serviços.

O vice-presidente da CTA considerou igualmente que um dos principais obstáculos para que as empresas nacionais aproveitem as oportunidades geradas pelos investimentos chineses continua a ser a reduzida capacidade de muitas delas cumprirem os requisitos exigidos pelos mercados internacionais e pelos grandes projetos, devido à falta de certificação empresarial.

Perante este cenário, o responsável apelou ao apoio das autoridades chinesas e do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da Região Administrativa Especial de Macau (IPIM) para reforçar os programas de capacitação e certificação empresarial em Moçambique.

“Gostaríamos de contar com o apoio das autoridades do Governo da República Popular da China (…) para alargar o programa de certificação e de capacitação empresarial”, declarou, defendendo que o reforço destas iniciativas permitirá aumentar a participação das pequenas e médias empresas moçambicanas nas cadeias de valor nacionais, regionais e globais.

PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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