Credores avisam Moçambique que podem exigir “indemnização legal” sobre ‘default’

O grupo de credores da dívida pública de Moçambique avisou que se reserva o direito de exigir “indemnização legal”, no seguimento da falha do pagamento de quase 60 milhões de dólares da prestação de janeiro.

Credores avisam Moçambique que podem exigir

Londres, 20 jan (Lusa) – O grupo de credores da dívida pública de Moçambique avisou hoje que se reserva o direito de exigir “indemnização legal”, no seguimento da falha do pagamento de quase 60 milhões de dólares da prestação de janeiro.


“Na ausência da adoção de uma abordagem construtiva, incluindo o pagamento do cupão agora em incumprimento, por parte do Governo de Moçambique e dos seus consultores, o comité reserva todas as formas de indemnização legal”, lê-se num comunicado hoje divulgado.


De acordo com a nota enviada ao mercado, o grupo de credores que detém mais de 60% da dívida púbica de 726,5 milhões de dólares emitida em abril do ano passado, e cujo pagamento da prestação de janeiro Moçambique anunciou que ia falhar, lembra que continua disponível para debater com as autoridades.


“Ainda que as negociações sejam prematuras, o comité está preparado para discutir as suas posições e a análise de todos os aspetos da situação que Moçambique enfrenta”, acrescenta o texto, que dá ainda de conta de que “até à data, nem o Governo nem os seus conselheiros abordaram o comité sobre essas discussões iniciais, prévias a qualquer fase de potencial negociação”.


Para este grupo, que inclui as casas de investimento AllianceBernstein, Franklin Templeton Investment Management e Greylock Capital Management, bem como a NWI e a Pharo Management, a falta de pagamento da prestação de janeiro “foi um passo atrás na perspetiva de Moçambique estar nas negociações com os credores de boa-fé”.


Para os credores, aliás, o incumprimento financeiro “foi desnecessário”, já que as finanças púbicas moçambicanas registaram melhorias no último trimestre do ano passado que lhes permitia ter liquidez suficiente para fazer o pagamento.


“O ‘default’ foi desnecessário, dada a melhoria desde outubro na situação económica e financeira do país”, acrescenta o comunicado, que conclui criticando a dualidade de critérios sobre os compromissos financeiros de Moçambique, já que a dívida comercial está a ser paga, o que significa “um ‘default’ estratégico direcionado para os detentores de títulos de dívida pública”.


O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira passada que não vai pagar a prestação de janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (‘default’).


“O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de janeiro, não será pago pela República”, lê-se num comunicado disponibilizado em Maputo.


No documento, Moçambique lembra que já tinha alertado em outubro para a falta de liquidez durante este ano e salienta que encara os credores como “parceiros importantes de longo prazo, cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país”.


Na sequência deste anúncio, a Standard & Poor’s cortou o ‘rating’ do país para ‘SD/D’, ou seja, incumprimento financeiro parcial, e considerou que a falta de pagamento era uma estratégia governamental para forçar os detentores de dívida a negociarem uma reestruturação da dívida, o que até agora têm rejeitado.


Já a Fitch manteve o ‘rating’ do país mas alertou que a falta de pagamento da prestação de janeiro por Moçambique vai “aumentar o período de incerteza” sobre a reestruturação da dívida soberana emitida em abril do ano passado.


A Moody’s, por seu turno, também considerou a falta de pagamento como um incumprimento, mas não desceu o ‘rating’, considerando que a avaliação de Caa3 já implica uma assunção de potenciais perdas para os credores de 20 a 35%, que podem chegar a quase 50% de acordo com a média histórica de ‘defaults’ soberanos.



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By Impala News / Lusa

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