Cessar-fogo no Líbano é elemento essencial para as negociações – Paquistão
O Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês afirmou hoje que o cessar-fogo no Líbano é um elemento essencial para as negociações que o país está a mediar entre os Estados Unidos e o Irão.
“O cessar-fogo no Líbano faz parte das negociações e está a ser analisado no contexto mais amplo do processo de paz regional”, sublinhou o porta-voz do ministério, Tahir Andrabi, numa declaração à imprensa.
De acordo com Islamabad, os sinais de melhoria na fronteira entre Israel e Líbano nos últimos dois dias “são encorajadores e ajudarão a criar um ambiente propício ao diálogo”.
O cessar-fogo no Líbano é uma das condições que tem sido mais pontuada por Teerão, que reitera que no anúncio da trégua com Washington o país mediterrânico estava incluindo na mesma.
Tanto Estados Unidos como Israel discordam do facto do Líbano estar incluído nessa trégua inicial, o que fez com que Telavive continuasse a sua guerra contra o Hezbollah.
Neste momento estão previstas para hoje negociações diretas entre os líderes israelita e libanês, anunciadas na quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Dada a ausência de uma data para a segunda ronda de contactos entre Washington e Teerão, Andrabi apelou à proteção do canal diplomático face às especulações.
O porta-voz afirmou que os detalhes dos encontros lhes foram “confiados pelas partes” e advertiu que, caso tivessem partilhado tal informação, isso teria constituído “uma quebra de confiança”.
Quando questionado sobre a composição das delegações que retomarão o diálogo após a primeira ronda de 21 horas, Andrabi indicou que a decisão sobre “quem virá, qual será o tamanho da delegação, quem ficará e quem partirá” cabe exclusivamente às partes envolvidas.
Nesse sentido, confirmou que a questão de fundo continua a ser crítica e que “as questões nucleares estão entre os temas que estão a ser discutidos”.
O porta-voz paquistanês destacou o esforço diplomático, recordando que as duas delegações mantiveram “21 horas de conversações ininterruptas”, um nível de empenho que, na sua opinião, reflete uma “vontade extraordinária por ambas as partes”.
Por isso, instou a que se valorizasse “a seriedade, a determinação e a atitude positiva dos participantes”.
Andrabi defendeu também a legitimidade do seu país como mediador, afirmando que o Paquistão está a cumprir a sua “responsabilidade histórica de evitar um conflito em grande escala” e que a sua capacidade de manter ambas as potências à mesa de negociações num clima de respeito mútuo constitui uma “conquista diplomática sem precedentes”.
No âmbito destas diligências, o Chefe do Estado-Maior do Exército, Asim Munir, viajou para o Irão com uma nova mensagem de Washington para Teerão e também o objetivo de procurar definir futuras negociações.
Andrabi sublinhou que o Paquistão está a informar os seus aliados sobre estas medidas, ao mesmo tempo que acolhe com agrado o apoio de potências globais, “incluindo a Rússia”.
Estes esforços inscrevem-se numa ofensiva diplomática que inclui a Organização de Cooperação de Xangai e contactos com a Arábia Saudita, a Turquia e o Egito.
A urgência de Islamabad visa alcançar um avanço antes que, no próximo dia 22, expire a trégua entre as partes em conflito.
O porta-voz concluiu descrevendo o resultado dos contactos até ao momento como um equilíbrio entre “não houve nem um avanço definitivo nem uma rutura”.
O Paquistão, assegurou, continuará a agir como facilitador “mantendo abertos os canais de comunicação entre Teerão e Washington” numa situação que qualificou de fluida.
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By Impala News / Lusa