BE, PCP e PEV reclamam medidas do Governo para as pessoas que “não são números”
PCP, Bloco de Esquerda e Verdes afinaram o discurso no debate dos Programas de Estabilidade e de Reformas para lembrar o ministro das Finanças que “está a governar para as pessoas” e “não para os números”.
Lisboa, 19 abr (Lusa) — PCP, Bloco de Esquerda e Verdes afinaram hoje o discurso no debate dos Programas de Estabilidade e de Reformas para lembrar o ministro das Finanças que “está a governar para as pessoas” e “não para os números”.
Esta foi uma das frases comuns a Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, João Oliveira, do PCP, e Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), durante o debate, na Assembleia da República, sobre o Programa de Estabilidade (PE) e Programa Nacional de Reformas (PN/Reformas), em que apresentaram várias reivindicações.
Começou Heloísa Apolónia, nas suas perguntas ao ministro das Finanças, Mário Centeno.
“Não devemos trabalhar para os números, temos que trabalhar para pessoas, se não caímos no irrealismo absoluto e deixamos de ter consciência das medidas necessárias para resolução dos problemas das pessoas”, afirmou.
A deputada dos Verdes, como fez Filipe Soares e João Oliveira, criticou este tipo de documentos como o PE, que significam uma “imposição da União Europeia” aos Estados e a obediência ao critério da redução do défice orçamental, por exemplo.
O ministro antecipou as respostas ao BE e ao PC quando respondeu a Heloísa Apolónia, dizendo que este “é um programa para os portugueses” e que a governação tem tido resultados.
E deu dois exemplos com as contratações de 2.000 enfermeiros e de 1.500 médicos em 2016.
Logo depois, o líder parlamentar comunista João Oliveira criticou este tipo de instrumentos, como o Programa de Estabilidade, que são “uma ingerência e controlo” da União Europeia sobre os Estados-membros, e reclamou medidas concretas ao Governo para o futuro.
O deputado do PCP disse estar preocupado com “a crescente contradição” entre o cumprimento dos “espartilhos orçamentais” impostos por Bruxelas e a possibilidade de “concretizar as medidas de reposição de direitos” que estiveram na base do acordo entre o PS e os partidos à sua esquerda.
João Oliveira exemplificou com o descongelamento das carreiras dos trabalhadores da função pública, a necessidade de “reverter o saque fiscal” do anterior Governo, ou a necessidade de alterar os escalões do IRS.
Já Pedro Filipe Soares, do BE, atacou o PSD por “só saber criticar” e “a ladainha do CDS” que repetiu o desafio aos partidos que apoiam o Governo a levar os dois documentos a votos.
“O país não é feito de números, é feito de pessoas”, afirmou o deputado bloquista, que atacou o “fascínio e a ilusão dos números” do programa.
E reclamou do ministro das Finanças o cumprimento de, entre outras, duas metas. Uma é a alteração dos escalões do IRS, como já reivindicara o PCP, para “afastar para sempre o fantasma de Vítor Gaspar [ex-ministro das Finanças]” e o aumento do salário mínimo para 580 euros em 2018 e para 600 euros em 2019.
A retórica em torno dos portugueses que não são números — uma imagem já usada por António Guterres quando era líder do PS nos anos 90 — levou o líder parlamentar socialista, Carlos César, usar a frase para terminar o seu discurso: “Os portugueses contam para Portugal.”
NS // JPS
By Impala News / Lusa