Rota de guerra: Por que 15 aviões norte-americanos não saem da base das Lajes?

A Base das Lajes regista movimento recorde com 15 reabastecedores KC-46 Pegasus. Saiba por que os EUA reforçam a presença nos Açores e o risco de conflito com o Irão.

Rota de guerra: Por que 15 aviões norte-americanos não saem da base das Lajes?

Nos últimos dias, o asfalto da Base das Lajes, na ilha Terceira, tornou-se o termómetro da tensão mundial. Com 15 reabastecedores KC-46 Pegasus estacionados, o movimento militar dos EUA nos Açores atinge níveis raramente vistos, alimentando o espectro de uma ofensiva iminente no Médio Oriente.

A calma habitual da ilha Terceira foi interrompida pelo rugido de motores de alta performance. O que começou por ser uma escala técnica de rotina transformou-se, nesta última semana de fevereiro de 2026, numa demonstração de força sem precedentes. Segundo dados confirmados pela agência Lusa no local, a Base das Lajes acolhe atualmente 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana (USAF).

A escalada na Base das Lajes

17 de fevereiro: Os primeiros 12 caças F-16 Viper (conhecidos como “Swamp Foxes”) e um reabastecedor aterram nas Lajes.
18 de fevereiro: A movimentação intensifica-se com a chegada de 11 reabastecedores KC-46 e um cargueiro C-17 Globemaster III. Cerca de 400 militares norte-americanos são destacados para a base.
20 de fevereiro: O gigante C-5M Super Galaxy, o maior avião de transporte estratégico dos EUA, reforça a frota antes de partir no dia seguinte.
23 de fevereiro: O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admite em Bruxelas que os EUA podem usar a base para operações sem aviso prévio, ao abrigo do Acordo de Defesa de 1951.
25 de fevereiro: Enquanto os caças e os cargueiros seguiram viagem, os 15 reabastecedores permanecem na pista, prontos para apoiar operações de longa distância.

O alvo no horizonte: A sombra do Irão

A concentração maciça de aeronaves de reabastecimento em pleno voo é um indicador clássico de preparação para missões de longo alcance. Analistas internacionais apontam que este dispositivo visa sustentar um eventual ataque às infraestruturas nucleares do Irão.

O presidente Donald Trump já avisou que “todas as opções estão sobre a mesa” caso Teerão não aceite um novo acordo nuclear. A Base das Lajes, pela sua posição estratégica no Atlântico, funciona como a ponte vital para que os caças norte-americanos alcancem o Golfo Pérsico com o combustível necessário.

Casos semelhantes e o papel de Portugal

Não é a primeira vez que as Lajes servem de trampolim para conflitos de grande escala. A base foi crucial na Operação Nickel Grass (1973), para o reabastecimento de Israel, e mais recentemente nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

A atual conivência portuguesa tem gerado críticas internas. Partidos como o PCP questionam se o Governo está a violar a Constituição ao permitir que o território nacional seja usado para agressões militares externas. Contudo, a posição oficial de Lisboa mantém-se: Portugal cumpre os tratados internacionais, mesmo que o destino das bombas seja uma incógnita para as autoridades nacionais.

Luís Martins; WiN

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