Venezuela abala de novo com sismo 5,4 enquanto missão portuguesa parte de Beja com 64 elementos
A Venezuela foi abalada por uma nova réplica de magnitude 5,4 na madrugada de sexta-feira, enquanto o balanço dos sismos de quarta-feira subiu para 929 mortos e 3.360 feridos, com 28 portugueses e lusodescendentes entre as vítimas e 85 desaparecidos. Na madrugada de sexta para sábado, 64 elementos da missão portuguesa partiram de Beja em dois aviões da Força Aérea rumo à Venezuela
A Venezuela não pára de tremer. Na noite de sexta-feira, pelas 18h16 hora local, um novo sismo de magnitude 5,4 abalou o país, junto à costa do estado de Arágua, 44 quilómetros a norte de Maracay. O abalo foi sentido intensamente nos estados de Arágua, Carabobo, Miranda, La Guaira e no Distrito Capital. A Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas confirmou a magnitude em 4,9, com epicentro a 4,6 quilómetros de profundidade. De momento não há registo de danos materiais ou humanos causados pela nova réplica.
Desde os dois grandes sismos de quarta-feira, já se registaram mais de 300 réplicas na Venezuela, embora de menor intensidade.
O balanço: 929 mortos e 28 portugueses entre as vítimas
O balanço oficial dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na quarta-feira subiu para pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos. Entre as vítimas mortais contam-se pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes. Outros 85 membros da comunidade portuguesa permanecem desaparecidos. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas no total, um número que reflete a dimensão devastadora da catástrofe em La Guaira e Caracas, as zonas mais afetadas.
A missão portuguesa parte de Beja

Na madrugada de sexta para sábado, a missão portuguesa partiu da Base Aérea N.º 11 em Beja com destino à Venezuela. Dois aviões da Força Aérea transportaram os 64 elementos que integram a força conjunta. O primeiro descolou às 22h22 de sexta-feira, o segundo às 23h57.
A missão integra elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro da Guarda Nacional Republicana, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e do Instituto Nacional de Emergência Médica. Seguem também cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo equipamentos de proteção individual, material de busca e salvamento, equipamento médico, medicamentos, tendas, geradores e bens alimentares.
O segundo comandante nacional da ANEPC, José Ribeiro, afirmou que os elementos da missão têm “muita experiência” em cenários de sismos, referindo os terramotos na Turquia como exemplo. O planeamento prevê uma duração de dez dias, com dois dias de reserva, em linha com o que foi estabelecido pelas restantes forças internacionais no terreno.
Portugal integra ainda a missão europeia coordenada pela Comissão Europeia, que inclui mais sete países da União Europeia. A Venezuela acolhe cerca de 1,2 milhões de portugueses e lusodescendentes, maioritariamente oriundos da Madeira.