Sismo na Venezuela: 32 mortos e 700 feridos, edifícios colapsados e estado de emergência
Dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, com apenas 39 segundos de intervalo, causando pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos. O balanço oficial deverá agravar-se significativamente à medida que os resgates avançam. Estado de emergência declarado.
A Venezuela foi atingida na noite de quarta-feira, 24 de junho, por dois sismos de grande magnitude com 39 segundos de intervalo. O primeiro abalo, de magnitude 7,2, ocorreu às 18h04, hora local, a oeste de Morón, na costa caribenha, a cerca de 168 quilómetros de Caracas. O segundo, de magnitude 7,5, seguiu-se segundos depois, com epicentro a 16 quilómetros a sudoeste do mesmo local. São dois dos sismos mais intensos a atingir o país em mais de um século.
Os tremores foram sentidos em toda a Venezuela, incluindo na capital Caracas, e também na Colômbia, em Trinidad e Tobago, nas ilhas de Curaçau e Aruba e no Amazonas brasileiro, a cerca de 1.700 quilómetros de Caracas. As imagens nas redes sociais mostram o pânico da população, paredes colapsadas e edifícios com danos severos.
O balanço oficial e as estimativas do USGS
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou em declaração na televisão estatal um balanço de 32 mortos e mais de 700 feridos, admitindo que os números deverão aumentar à medida que prosseguem as operações de busca e salvamento. La Guaira, zona costeira a norte do país e vizinha de Caracas, foi declarada zona de desastre e é apontada como a região mais afetada.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima milhares de vítimas. Com base em modelos informáticos que consideram a densidade populacional e as características dos edifícios, o USGS calculou uma probabilidade de 42% de que o número de mortos se situe entre 10 mil e 100 mil, de 33% de entre 1.000 e 10 mil, e de 17% de mais de 100 mil vítimas mortais. A agência sublinhou que a população da região vive “em geral em edifícios vulneráveis a sismos”, incluindo estruturas de tijolo e alvenaria não reforçada.
Estado de emergência e infraestruturas afetadas
Rodríguez declarou estado de emergência e mobilizou forças de socorro para as áreas mais afetadas. O aeroporto internacional Simón Bolívar, principal porta de entrada do país, foi encerrado por danos severos. O metro de Caracas e o fornecimento de gás natural na capital foram suspensos. As escolas encerraram por vários dias. Os serviços de energia elétrica e internet foram interrompidos em várias zonas.
As operações de corrida contra o tempo para salvar pessoas prosseguem com equipas de emergência a vasculhar escombros em Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón.
Alerta de tsunami cancelado
Na sequência dos sismos, o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico emitiu um alerta para as Caraíbas, incluindo Porto Rico e as Ilhas Virgens. Os EUA cancelaram o alerta de tsunami para as Caraíbas minutos depois, após avaliação técnica que concluiu não haver risco de ondas perigosas.
Reações internacionais
O Presidente da República português, António José Seguro, manifestou consternação e disse acompanhar a situação com preocupação, dirigindo uma mensagem de solidariedade ao povo venezuelano e aos portugueses residentes no país. O Presidente brasileiro Lula ofereceu apoio à Venezuela e avalia medidas de assistência. Donald Trump escreveu no Truth Social que os sismos são “maciços em escala” e que “os EUA estão prontos, dispostos e capazes de ajudar”, com Washington a prometer enviar equipas de busca e ajuda médica e humanitária.
Réplicas esperadas
As autoridades alertam para a possibilidade de dezenas de réplicas nas próximas horas e dias, algumas potencialmente superiores a magnitude 5 ou 6. A população foi instada a manter-se afastada de edifícios danificados e a reportar danos através de uma aplicação governamental. O maior sismo registado recentemente na Venezuela ocorreu em agosto de 2018, quando um abalo de magnitude 7,3 atingiu o estado de Sucre.