Plano B: As rotas alternativas ao Estreito de Ormuz que tentam evitar o colapso energético
Com o Estreito de Ormuz paralisado, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aceleram o uso de oleodutos estratégicos. Conheça as rotas de fuga do petróleo.
O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz forçou as potências do Golfo a ativar planos de contingência guardados há décadas. A navegação comercial está em queda livre. A solução passa agora por terra e não por mar. O objetivo é evitar uma rutura total no abastecimento global.
Estatísticas da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que cerca de 20 milhões de barris por dia transitavam por Ormuz. Atualmente, apenas uma fração desse volume consegue sair da região. A estratégia assenta em dois grandes eixos terrestres que ligam os campos de extração a portos fora da zona de conflito imediato.
O gigante Saudita: Oleoduto Este-Oeste
A Arábia Saudita ativou a sua capacidade máxima no oleoduto Este-Oeste, também conhecido como Petroline. Esta infraestrutura atravessa o deserto saudita desde os campos de Abqaiq até ao Porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
- • O sistema tem uma capacidade nominal de 5 milhões de barris por dia.
- • Em situações de emergência, como a atual, pode atingir os 7 milhões de barris.
- • O CEO da Aramco, Amin Nasser, confirmou que o fluxo máximo será atingido em poucos dias.
- • Esta rota permite que o petróleo chegue à Europa e aos EUA sem passar pelo Estreito de Ormuz.
Contudo, existe um problema logístico em Yanbu. A capacidade de carregamento dos terminais no Mar Vermelho é inferior à do oleoduto. Estima-se que apenas 4,5 milhões de barris possam ser efetivamente carregados em navios diariamente.
O atalho dos Emirados: Habshan-Fujairah
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) também estão a utilizar a sua rota de fuga estratégica. O oleoduto ADCOP liga as instalações de Habshan, em Abu Dhabi, diretamente ao Porto de Fujairah.
- • Esta via termina no Golfo de Omã, já fora do estreito.
- • A capacidade máxima situa-se entre 1,5 e 1,8 milhões de barris por dia.
- • Fujairah tornou-se o principal centro de armazenamento e abastecimento da região.
- • A infraestrutura está a operar acima da sua capacidade oficial para compensar as perdas.
A ligação egípcia: O oleoduto Sumed
Para o petróleo que chega ao Mar Vermelho, o Egito oferece uma peça fundamental: o oleoduto Sumed. Esta linha liga o porto de Ain Sokhna ao terminal de Sidi Kerir, no Mediterrâneo.
- • O Sumed tem capacidade para 2,5 milhões de barris por dia.
- • Funciona como uma alternativa ao Canal de Suez para os superpetroleiros que não conseguem atravessar o canal carregados.
- • A colaboração egípcia é vista como vital para manter a estabilidade de preços na Europa.
O buraco de 15 milhões de barris
Apesar destes esforços, a aritmética da guerra é cruel. A soma de todas as rotas alternativas garante apenas cerca de 6,5 milhões de barris por dia. Isto deixa um défice de quase 15 milhões de barris no mercado mundial.
Países como o Kuwait, o Iraque e o Qatar continuam sem alternativas viáveis de larga escala. O oleoduto que ligava o Iraque à Turquia permanece suspenso por razões de segurança e disputas contratuais. Enquanto o Estreito de Ormuz não for libertado de minas e ameaças aéreas, o mundo enfrentará uma escassez estrutural de energia sem precedentes.