Regulador abre processo para avaliar recusa do Hospital de Faro em atender grávida

O regulador da Saúde anunciou hoje um processo de avaliação para esclarecer os factos relativos à recusa do Hospital de Faro em atender uma grávida que se deslocou às urgências sem ligar previamente para linha SNS 24.

Regulador abre processo para avaliar recusa do Hospital de Faro em atender grávida

Na sequência da notícia sobre a alegada recusa de atendimento da grávida, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) adiantou à Lusa que instaurou um “processo de avaliação com vista ao cabal esclarecimento dos factos e à verificação do cumprimento do enquadramento normativo e regulatório aplicável”.

Segundo a ERS, vão ser recolhidos elementos considerados relevantes junto das entidades envolvidas e, posteriormente, poderão ser adotadas as “medidas adequadas no âmbito das atribuições e competências” da entidade reguladora.

Sem se referir especificamente a este caso, a ERS salientou que a referenciação e orientação prévia, através da linha SNS 24, não pode comprometer o direito de acesso dos utentes a cuidados de saúde adequados, necessários e prestados em tempo clinicamente aceitável, especialmente em situações que envolvam potencial risco materno-fetal ou necessidade de avaliação clínica urgente.

De acordo com a informação disponibilizada no `site´ da ERS, um utente não é obrigado a ligar para a linha SNS 24 antes de ir à urgência.

No entanto, sempre que possível, é recomendado que contacte previamente o SNS 24 antes de se dirigir a um serviço de urgência, especialmente em situações não emergentes, refere a ERS, salientando que esse contacto permite avaliar a situação clínica do utente e orientá-lo para a resposta de cuidados de saúde mais adequada.

Segundo uma notícia avançada pela SIC, o Hospital de Faro recusou atender na passada sexta-feira uma mulher de 37 anos grávida de 40 semanas porque não tinha ligado previamente para a linha SNS 24 antes de se deslocar às urgências.

O INEM, que assistiu a grávida à porta da urgência, insistiu que a mulher fosse admitida, mas o hospital ordenou o transporte para Portimão, a 70 quilómetros.

A mulher chegou ao final de tarde numa sexta-feira ao hospital de Faro pelos próprios meios, vinda desde Almancil.

Após 70 quilómetros de viagem na ambulância, acompanhada pela VMER, a criança viria a nascer saudável, pouco depois de chegar a Portimão.

A ministra da Saúde disse hoje que a Direção Executiva do SNS pediu esclarecimentos à Unidade Local de Saúde do Algarve sobre este caso, assegurando que nenhuma grávida pode ficar sem atendimento nestas circunstâncias.

Ana Paula Martins afirmou, em declarações à SIC, que “felizmente” o INEM foi rápido, mas salientou a importância de as unidades de saúde garantirem formação aos seus profissionais para que a lei seja cumprida.

A ministra disse ainda que em breve terá o relato completo dos factos passados na ULS do Algarve.

PC (SO/HN) // JMR

By Impala News / Lusa

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