PS acusa Fernando Alexandre de negligência e coloca-o no “mesmo patamar da ministra da Saúde”
O líder parlamentar do PS acusou hoje o ministro da Educação de “negligência grosseira” na digitalização dos exames e considerou que Fernando Alexandre chegou ao “mesmo patamar da ministra da Saúde”, cuja demissão já foi pedida pelos socialistas.
Eurico Brilhante Dias falava aos jornalistas, no Parlamento, enquanto o ministro da Educação, Fernando Alexandre, era ouvido numa audição na Comissão de Educação sobre os problemas na classificação dos exames nacionais.
O socialista destacou como um “aspetos mais importantes” conhecidos nesta audição parlamentar o facto de o ministro ter dito que generalizou a digitalização de classificação dos exames sem ter recebido um relatório do Júri Nacional de Exames sobre os resultados do projeto-piloto aplicado ao exame de Filosofia em 2025.
“Esperamos nos próximos dias que o senhor ministro consiga explicar como é que, não tendo recebido um relatório que desconhece, que não existe, como é que tomou uma decisão quando hoje se sabe que o teste piloto no Exame de Filosofia em 2025 tinha redundado num conjunto alargado de erros. É uma negligência grosseira”, criticou.
Na audição, o ministro da Educação afirmou que “o Governo não tem relatório nenhum” sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames nacionais de Filosofia realizados no ano passado, acusando o ex-presidente do Júri Nacional de Exames de nunca o ter entregue.
Brilhante Dias, embora sem pedir diretamente a demissão de Fernando Alexandre, considerou que o ministro da Educação chegou ao mesmo patamar da ministra da Saúde”, Ana Paula Martins, cuja saída do Governo já foi defendida pelo PS. Porém, o líder da bancada socialista disse hoje que a continuidade de Ana Paula Martins é da “responsabilidade exclusiva do primeiro-ministro”.
“O PS é sempre muito cauteloso, não tem por hábito pedir a demissão de ministros. (…) Eu disse no debate [do estado da nação], o que foi também confirmado pelo secretário-geral, que o professor Fernando Alexandre que nós conhecíamos era um defensor da meritocracia. Depois deste processo, ele próprio fará a sua avaliação, se continua a ter o mesmo padrão e o mesmo parâmetro de meritocracia”, frisou.
Sobre o ministro ter dito, esta segunda-feira, que se teria demitido se o processo “tivesse corrido muito mal”, o deputado socialista questionou “o que é que falta para correr muito mal”.
Brilhante Dias apontou para a existência de notas negativas nas pautas, provas com notas suspensas e classificações erradas nos exames de Física e Química e Geografia, alegou haver alunos que “ainda hoje não têm acesso à consulta da sua prova” e pediu mais esclarecimentos sobre a nova época especial anunciada pelo ministro.
O deputado disse também que o ministro ficará conhecido como “Fernando Alexandre, o negligente” e acusou o ministro de “incompetência” por permitir a divulgação das notas na sexta-feira à noite sem que todas as provas estivessem corrigidas.
“A decisão que devia ter sido tomada era a de garantir que todos os alunos recebiam as notas ao mesmo tempo, para que a igualdade de circunstâncias pudesse ser assegurada”, considerou.
Questionado sobre as declarações do porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, sobre este processo, Brilhante Dias acusou o social-democrata de andar a “sabotar o próprio Governo”, considerando que as suas afirmações são “ruído” e “não acrescentam nada à vida política”.
Em entrevista à Antena 1, Bugalho disse não querer “usar a palavra ‘sabotagem'”, mas considerou “muito diferente ter uma agenda reformista quando se está no poder há dois anos, depois de o partido adversário ter estado no Estado durante nove”.
“O PS foi o partido que viabilizou os últimos dois orçamentos, foi o partido que acabou por fazer um acordo na Prestação Social Única e, por isso, é mais uma desculpa. Neste contexto, não acrescenta nada à vida política nacional”, respondeu Brilhante Dias.
TS (SIM) // JPS
By Impala News / Lusa