Parque moçambicano da Gorongosa prepara nova contagem aérea de fauna em outubro
O Parque Nacional da Gorongosa, no centro de Moçambique, vai realizar em outubro uma nova contagem aérea de fauna bravia de grande porte, abrangendo 210 mil hectares, para monitorizar a recuperação da biodiversidade.
A iniciativa consta de um edital de concurso público a que a Lusa teve hoje acesso, lançado pelo Projeto de Restauração da Gorongosa para apoiar a realização da Contagem Aérea de Fauna Bravia 2026, uma operação considerada fundamental para avaliar a evolução das populações animais naquele que é um dos mais importantes ecossistemas protegidos de África.
Segundo o documento, para contratar os serviços aéreos da operação, a contagem decorrerá de 01 a 25 de outubro e irá abranger uma área estimada em 210.000 hectares, através de trajetos lineares previamente definidos, permitindo recolher informação científica sobre a distribuição e abundância da fauna de grande porte.
“O helicóptero deverá cumprir cerca de 90 horas de voo, incluindo deslocações adicionais que totalizam aproximadamente 550 quilómetros”, lê-se no edital.
A operação surge depois de o Parque Nacional da Gorongosa ter anunciado anteriormente um recorde histórico de fauna bravia, com 110.513 animais de grande porte contabilizados num levantamento aéreo realizado entre 08 e 22 de outubro de 2025.
De acordo com dados anteriormente divulgados pelo parque, a contagem de 2025 decorreu numa área de 197 mil hectares e registou “os números mais elevados alguma vez registados”, refletindo décadas de recuperação ecológica após a destruição provocada pela guerra civil moçambicana.
A celebrar este mês 66 anos de existência, o Parque Nacional da Gorongosa indicou albergar mais de 500 espécies de borboletas, resultado de um processo de restauração da biodiversidade que tem sido apontado como um dos mais bem-sucedidos do continente africano.
Criado em 1960, o parque perdeu grande parte da sua fauna durante os anos de conflito armado, mas recuperou progressivamente através de programas de proteção, translocação de espécies e gestão dos habitats, desenvolvidos no âmbito do Projeto de Restauração da Gorongosa.
Segundo o parque, a recuperação permitiu transformar novamente a área protegida num refúgio para espécies vulneráveis e criticamente ameaçadas, incluindo populações de abutres e outras aves de conservação prioritária.
A monitorização regular das populações animais através de censos aéreos constitui um dos pilares da gestão científica da área protegida, fornecendo dados considerados essenciais para orientar as estratégias de conservação e avaliar o estado do ecossistema.
O Parque Nacional da Gorongosa tem igualmente apostado na integração das comunidades locais nas iniciativas de conservação, através de programas de educação, ciência participativa e criação de rendimento sustentável.
Em 2025, a administração do parque sublinhou que a sua missão consiste em “proteger a biodiversidade e melhorar o nível de vida das pessoas”, combinando renaturalização, educação juvenil e conservação liderada pelas comunidades.
O Projeto de Restauração da Gorongosa resulta de uma parceria entre o Governo moçambicano e a fundação do filantropo norte-americano Greg Carr. Em 2008, a fundação assinou um acordo de gestão do parque por 20 anos, posteriormente prolongado por mais 25 anos, em 2018.
Ao longo desse período, o número de animais de grande porte aumentou de cerca de 10.000 para mais de 110.000, enquanto os projetos de conservação passaram a incluir iniciativas em áreas como agricultura sustentável, produção de café e mel, educação e apoio às populações vizinhas.
Localizado no distrito de Gorongosa, na província de Sofala, junto ao limite sul do Grande Vale do Rift Africano, o parque é considerado uma das principais reservas naturais de Moçambique e um dos destinos mais reputados de turismo de natureza do país.
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By Impala News / Lusa