Nove mil alunos do 1.º ciclo em França já aprendem português como língua estrangeira

O ensino do português como língua estrangeira em França já chega a nove mil alunos do 1.º ciclo, disse à Lusa o ministro da Educação que visitou em Paris uma escola onde esta oferta arrancou este ano letivo.

Nove mil alunos do 1.º ciclo em França já aprendem português como língua estrangeira

Lisboa, 28 mar (Lusa) — O ensino do português como língua estrangeira em França já chega a nove mil alunos do 1.º ciclo, disse à Lusa o ministro da Educação que hoje visitou em Paris uma escola onde esta oferta arrancou este ano letivo.


Aprender português como língua estrangeira é uma possibilidade para os alunos do 1.º ciclo em França desde o início do presente ano letivo, na sequência de um protocolo assinado em julho pelos ministros da Educação de Portugal — Tiago Brandão Rodrigues — e França – Najat Vallaud-Belkacem — o qual colocou o ensino de português no dispositivo EILE (Ensino Internacional de Língua Estrangeiro), e consequentemente, no mesmo patamar de visibilidade de línguas já oferecidas no sistema de ensino francês, como o inglês, o espanhol e o italiano.


“Este novo programa começou no 1.º ciclo, mas irá estender-se aos ciclos posteriores. Vai haver uma expansão grande da oferta do ensino de português não só no 1.º ciclo, mas também nos ciclos subsequentes”, disse à Lusa o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que adiantou que a expansão aos níveis de ensino seguintes ocorre já a partir do próximo ano letivo.


Segundo os números avançados pelo ministro, há neste momento em França 15 mil alunos a aprender português, nove mil dos quais ao abrigo do EILE, e que terão agora a oportunidade de dar continuidade à aprendizagem da língua nos anos seguintes.


“Este dispositivo, no contexto da oferta educativa da escola francesa, prestigia o ensino do português e permite um acesso a um maior número de alunos”, considerou Brandão Rodrigues.


O ministro realçou ainda que esta mudança tem também impacto no peso curricular e pedagógico da língua portuguesa dentro das escolas e na avaliação dos alunos.


“Por um lado, os professores que vêm de Portugal e os formados em França passam a fazer parte das equipas pedagógicas das escolas, o que permite participar com os alunos nos projetos pedagógicos das escolas que integram, e isso reforça a visibilidade da língua portuguesa. A língua portuguesa deixa de estar acantonada e passa a fazer parte dos currículos das escolas”, disse.


Já no que diz respeito aos alunos, “as classificações na disciplina de português passam a figurar no boletim escolar dos alunos”, o que “permite o registo oficial do percurso feito ao longo dos anos”.


“Isto materializa uma certa integração pedagógica do português nos currículos franceses”, defendeu.


Na visita de hoje a França, no decorrer da qual visitou uma escola do 1.º ciclo onde os alunos começaram este ano a aprender português, Tiago Brandão Rodrigues assinou com a sua homóloga francesa um acordo de cooperação bilateral para as políticas educativas e do ensino da língua.


“Até agora era muito estranho e incompreensível a ausência de um acordo desta natureza. Fazia todo o sentido existir. A única estrutura que havia era um acordo bilateral assinado nos anos 1970 para cooperação cultural, técnica e científica. Impunha-se um desenho de um quadro de cooperação mútua tanto no campo da educação como nas políticas de língua que pudesse fortalecer a relação entre os dois países. É importante também, porque é na verdade um ‘acordo chapéu’ e uma verdadeira ‘avenida’ por onde poderemos caminhar em relação aos interesses comuns”, disse.


O acordo de hoje, apesar de muito centrado no ensino da língua, prevê também a cooperação em matérias como o intercâmbio, formação e certificação de professores.


“O importante é termos metas que possam ir ao encontro das vontades dos dois países e que possam ser consistentes, exigentes e ambiciosas. Estamos a trabalhar para que este acordo possa corresponder às necessidades que existem no terreno”, referiu Brandão Rodrigues.


IMA // JMR

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share