Ministro do Ambiente diz que são 60 demolições na Ria Formosa nos próximos três anos

O ministro do Ambiente garantiu, no parlamento, que a retoma do processo de demolições nas ilhas-barreira da ria Formosa, no Algarve, vai deitar abaixo um total de 60 habitações durante os próximos três anos.

Ministro do Ambiente diz que são 60 demolições na Ria Formosa nos próximos três anos

Lisboa, 24 jan (Lusa) — O ministro do Ambiente garantiu hoje, no parlamento, que a retoma do processo de demolições nas ilhas-barreira da ria Formosa, no Algarve, vai deitar abaixo um total de 60 habitações durante os próximos três anos.


“Constatando-se o risco, que será avaliado de três em três anos, mais habitações terão que ser retiradas daquele espaço, mas, nos próximos três anos, serão estas 60 e não haverá mais demolição alguma”, afirmou João Matos Fernandes, à margem de uma audição parlamentar na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.


Na audição do ministro do Ambiente, requerida pelos grupos parlamentares do PCP e do BE, o deputado do PCP Paulo Sá considerou que estas 60 demolições são “uma ilusão”.


“Há sempre alguém a querer enganar as pessoas. Primeiro anunciam-se estas 60 demolições e depois outras 60 […] Não tentem enganar as pessoas”, reclamou o deputado comunista, referindo que o PCP vai continuar a defender as populações da ria Formosa.


No dia 13 de janeiro foram enviadas 24 cartas de notificação aos proprietários de habitações no núcleo dos Hangares e 36 no núcleo do Farol, na ilha da Culatra (Algarve), num total de 60 habitações, com vista à tomada de posse administrativa e demolição, lembrou o governante.


“Para que não fique qualquer dúvida, a responsabilidade pelo envio destas cartas é minha”, assumiu João Matos Fernandes, respondendo, assim, à questão do deputado do PCP sobre se “a Sociedade Polis Ria Formosa ao enviar estas notificações está a seguir recomendações do Governo ou está a agir à revelia”.


De acordo com o ministro do Ambiente, destas 60 demolições previstas, existem sete habitações (três nos Hangares e quatro no Farol) em que o Governo está à espera que os proprietários provem que, mesmo que estas construções não sejam para primeira e única habitação, exercem a atividade de pescador, mariscador ou viveirista, ou que se encontre reformado.


“Este Governo voltou a trazer para a ordem do dia a questão das demolições, não enveredou pelo diálogo com as populações, o que é lamentável”, criticou o deputado do Bloco de Esquerda, João Vasconcelos.


Para o deputado do PSD José Carlos Barros, “não é indiferente saber o número de casas a serem demolidas”, porém “o essencial são os projetos de requalificação” para a ria Formosa.


“Ao contrário do anterior Governo, que pôs os ovos todos no mesmo cesto, o cesto das demolições, nós estamos a avançar com projetos de requalificação”, declarou o governante, referindo que os projetos estão previstos avançar “ainda durante o mês de fevereiro”.


Segundo o ministro do Ambiente, os projetos de requalificação para a ria Formosa estão “nas mãos das quatro autarquias – Faro, Olhão, Loulé e Tavira”, uma vez que “o capital financeiro da Sociedade Polis já não é suficiente para abranger estes projetos”.



SYSM // MLS

By Impala News / Lusa

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