Hantavírus: operação de repatriamento do MV Hondius termina hoje em Tenerife
Termina em Tenerife nesta segunda-feira a operação de repatriamento dos passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus que já fez três mortos e pelo menos seis casos confirmados.
O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius chegou nesta segunda-feira à fase final. Os últimos dois voos de repatriamento – com destino à Austrália e aos Países Baixos – partem esta tarde do aeroporto de Tenerife Sul, encerrando uma operação internacional descrita pelo governo espanhol como “inédita e sem precedentes”.
Após o desembarque, o navio – com cerca de 30 tripulantes a bordo — será reabastecido e seguirá viagem para Rotterdam, nos Países Baixos, país onde está registado o armador. A bordo seguirá também o corpo de uma passageira alemã, que morreu em 2 de maio.
Surto de hantavírus começou na Patagónia
O MV Hondius zarpou de Ushuaia, na Argentina, em 1 de abril, com 147 pessoas a bordo – 88 passageiros e 59 tripulantes, de 23 nacionalidades. Em 11 de abril, um passageiro holandês morreu a bordo. O corpo foi desembarcado a 24 de abril na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. A companheira, também holandesa, desembarcou na mesma ilha com sintomas e veio a falecer dias depois em Joanesburgo. Uma terceira vítima, um alemão de 69 anos, morreu em 2 de maio.
Havia um cidadão português entre a tripulação – seguirá no navio até aos Países Baixos, sem ser repatriado pelas Canárias.
OMS confirma seis casos e afasta nova pandemia
Face à dimensão do surto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou seis casos e classificou todos os passageiros e tripulantes como “contactos de alto risco”. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que se deslocou pessoalmente a Tenerife, foi claro. “Não se trata de outra Covid-19. As pessoas não devem ter medo nem entrar em pânico.”
Uma quarentena de 42 dias foi recomendada para todos os que estiveram a bordo – mas a OMS reconheceu que cada país é livre de adotar os seus próprios protocolo.
Operação de repatriamento
Desembarque arrancou no domingo de manhã, no porto industrial de Granadilla, com fatos de proteção completos, lanchas e grupos separados por nacionalidade. Os primeiros a sair foram os 14 espanhóis, transportados para um hospital militar em Madrid.
No final do domingo, 94 pessoas de 19 nacionalidades já tinham sido repatriadas em oito voos. Antes disso, 76 tinham já deixado o navio numa fase anterior da operação.
Casos confirmados fora do navio
Operação não decorreu sem sobressaltos. Um dos cinco franceses repatriados no domingo desenvolveu sintomas durante o voo para Paris, tendo sido posteriormente confirmado como caso positivo. Do lado norte-americano, um dos 17 passageiros repatriados para o Nebraska testou igualmente positivo, embora sem sintomas.
As autoridades britânicas anunciaram ainda uma “operação militar sem precedentes” para levar ajuda médica urgente à ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul – uma das paragens do navio –, após um habitante ter sido hospitalizado com suspeita de infeção.
O que é e como se transmite o hantavírus
Doença rara, transmitida principalmente por roedores infetados. Em casos excecionais, pode passar de pessoa para pessoa por contacto próximo com saliva ou secreções respiratórias. Os sintomas iniciais incluem febre e dores no corpo, podendo evoluir para dificuldades respiratórias graves. Não existe vacina nem tratamento específico.