PJ investiga novos casos e mais vítimas de abusos sexuais em creche de Marvila

Caso da creche Marvila choca o País. Um auxiliar de 24 anos foi detido pela PJ por abusos sexuais graves a crianças durante a sesta.

PJ investiga novos casos e mais vítimas de abusos sexuais em creche de Marvila

O caso da creche Marvila colocou a comunidade de Lisboa e o País em estado de choque absoluto após a intervenção direta da Polícia Judiciária. A detenção de um funcionário do estabelecimento pré-escolar, suspeito da prática de crimes graves contra a integridade física e psicológica de menores, desencadeou uma investigação profunda. A PJ recolheu indícios que apontam para conduta criminosa reiterada. Os contornos da investigação sugerem agora que o número de vítimas dentro da instituição de ensino pode ser consideravelmente superior ao inicialmente projetado pelas autoridades, elevando o alarme social ao patamar máximo.

Detenção de auxiliar de ação educativa pela Polícia Judiciária

A Polícia Judiciária, através da Secção de Investigação de Crimes Sexuais, procedeu à detenção formal de um homem de 24 anos. O indivíduo exercia funções como auxiliar de ação educativa num estabelecimento de ensino pré-escolar na referida zona da capital. Os dados apurados pelas autoridades competentes ligam o arguido à suspeita da prática de, pelo menos, seis crimes de abuso sexual de crianças. O alvo das ações eram quatro meninas com idades compreendidas entre os quatro e os seis anos.

Segundo os relatórios preliminares das autoridades policiais e judiciais, o suspeito aproveitava-se de momentos de extrema vulnerabilidade das vítimas para concretizar os atos ilícitos. A investigação detalha que as agressões ocorriam preferencialmente no decorrer do período da sesta, momento em que as crianças se encontravam a descansar no interior das instalações e a supervisão geral da creche em Marvila ficava mais circunscrita ao espaço comum.

Oportunismo durante o período da sesta alarga investigação

As denúncias começaram a ser formalizadas pelos encarregados de educação após as crianças darem sinais de trauma e comunicarem os acontecimentos em ambiente familiar. A PJ ativou de imediato os protocolos de proteção de menores, avançando para a recolha de provas testemunhais e periciais na instituição de Marvila. “Os abusos terão ocorrido durante o período da sesta, momento em que as crianças se encontravam a descansar, aproveitando-se o suspeito da vulnerabilidade das vítimas”, confirma a nota da investigação.

A gravidade do cenário obrigou os inspetores a alargar o âmbito temporal da análise. Os crimes sob suspeita terão sido validados entre os meses de abril e maio deste ano. Com base na recolha contínua de depoimentos e nos exames periciais complementares realizados às menores, a coordenação policial admite que novos contornos possam surgir nos próximos dias. Não está posta de parte a existência de mais menores visadas pela atuação do assistente educativo.

Falhas de supervisão no pré-escolar originam revolta social

O impacto deste processo judicial colocou em causa a eficácia dos mecanismos de controlo, supervisão e recrutamento dentro das instituições de acolhimento de infância em Portugal. Famílias locais e associações de pais exigem respostas imediatas sobre os critérios de triagem psicológica e vigilância dos funcionários auxiliares. O arguido foi submetido a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas, enfrentando molduras penais pesadas devido à reiteração dos atos e à idade das vítimas.

A Polícia Judiciária mantém a investigação em aberto na zona de Lisboa. Os inspetores continuam a realizar inquirições a outros colaboradores do espaço escolar e a analisar as rotinas diárias da creche para aferir se existiram omissões culposas no dever de vigilância. O caso da creche de Marvila continua sob forte escrutínio público e mediático.

Luís Martins; WiN
Imagem ilustrativa Pexels

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