Aviso amarelo: Chuva forte e trovoada fustigam Portugal nesta quarta-feira
IPMA emite Aviso Amarelo para quarta-feira, 29 de abril. Saiba onde a chuva forte, a trovoada e a queda de neve vão afetar o Portugal.
O Aviso Amarelo emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) domina o cenário meteorológico para esta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A análise rigorosa dos modelos atmosféricos confirma um agravamento severo das condições em Portugal Continental, com a chegada de uma depressão atlântica que transporta uma massa de ar polar marítima. Esta alteração drástica resulta em precipitação persistente, descargas elétricas e uma descida acentuada das temperaturas em quase todo o território nacional.
A situação de instabilidade atinge o seu ponto crítico nas próximas horas, afetando prioritariamente as regiões do Norte e Centro. O alerta das autoridades foca-se na conjugação de chuva forte com o potencial para queda de granizo, fenómenos potenciados por um vale depressionário em altitude que favorece a convecção profunda.
Impacto direto do aviso amarelo nas regiões Norte e Centro
A vigência do Aviso Amarelo deve-se à previsão de valores de precipitação que podem ultrapassar os 20 mm numa hora em distritos como Porto, Braga e Viana do Castelo. Estas regiões, situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, enfrentam o maior risco de inundações rápidas em zonas urbanas impermeabilizadas. O solo, já saturado por precipitações anteriores, apresenta uma capacidade de infiltração reduzida, o que eleva a probabilidade de transbordo de linhas de água de pequena dimensão.
Segundo os dados do IPMA, a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus, será constante durante a tarde de quarta-feira. Este desenvolvimento é o gatilho para a trovoada frequente, o que justifica a extensão do alerta a distritos do interior, como Vila Real e Bragança, onde a orografia intensifica a instabilidade atmosférica.
Quebra térmica acentuada e neve nas terras altas
Além da precipitação, o Aviso Amarelo reflete uma mudança brusca nos termómetros. Prevê-se uma descida das temperaturas máximas que pode atingir os 8 graus Celsius em cidades como Guarda e Viseu. Esta massa de ar frio, ao interagir com a precipitação prevista, poderá resultar na queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela acima dos 1.400 metros de altitude, um fenómeno tardio mas não invulgar para o final de abril.
O vento soprará com intensidade moderada a forte do quadrante sudoeste, com rajadas que podem atingir os 80 km/h nas terras altas. Esta condição aumenta o desconforto térmico e exige precaução redobrada na fixação de estruturas móveis, como andaimes ou coberturas temporárias, frequentemente vulneráveis a este tipo de episódios meteorológicos.
Evolução no Sul e nos arquipélagos
No Sul do país, embora a pressão atmosférica também registe uma queda, o impacto do Aviso Amarelo é menos severo. Esperam-se aguaceiros dispersos e céu muito nublado, mas as abertas deverão surgir a partir do meio da tarde no litoral alentejano e no Algarve. No entanto, a agitação marítima na costa ocidental mantém-se sob vigilância, com ondas que podem chegar aos 3 metros de altura, desaconselhando a prática de atividades desportivas no mar.
Regiões autónomas
Nos Açores, a passagem de uma frente fria mantém o tempo instável no Grupo Oriental, com períodos de chuva moderada.
Na Madeira, o cenário diverge do continente, apresentando estabilidade atmosférica e temperaturas amenas, sem qualquer aviso meteorológico ativo para o período em análise.
Recomendações de segurança e vigilância
A Proteção Civil reitera que a existência de um Aviso Amarelo implica uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica. Recomenda-se a adoção de uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e aumentando a distância de segurança, face à possibilidade de formação de lençóis de água e à redução drástica da visibilidade durante os períodos de maior intensidade da chuva.
A monitorização em tempo real das descargas elétricas e do deslocamento das células de precipitação continuará a ser efetuada pelas autoridades. Este episódio de instabilidade, embora típico da primavera, destaca-se pela sua rapidez de instalação, exigindo que a população se mantenha informada através dos canais oficiais para eventuais agravamentos do estado de alerta.