Artemis II: A conquista do lado oculto e o novo recorde da Humanidade no Espaço

A missão Artemis II fez história a 6 de abril de 2026. Veja os detalhes do sobrevoo lunar, o recorde de distância e as fotos dos astronautas.

A exploração espacial escreveu, em 6 de abril de 2026, um dos seus capítulos mais impressionantes. Cinquenta e quatro anos após a última visita humana às imediações lunares, a tripulação da missão Artemis II não só regressou à órbita do nosso satélite natural, como ultrapassou as fronteiras estabelecidas pela mítica Apollo 13. O sobrevoo, executado com precisão cirúrgica, permitiu a quatro astronautas observar, em tempo real e com os próprios olhos, crateras e formações geológicas do lado oculto da Lua que nunca haviam sido descritas desta forma pela voz humana.

O momento crítico do sobrevoo e a perda de sinal

A operação atingiu o seu auge na noite de segunda-feira. Pelas 19:02 EDT (23:02 em Lisboa), a cápsula Orion alcançou a sua aproximação máxima à superfície lunar, situando-se a apenas 6.545 quilómetros (4.067 milhas) de distância do solo acidentado. Este momento ocorreu enquanto a nave passava por trás da Lua, resultando num blackout de comunicações planeado de aproximadamente 40 minutos. Durante este período, a massa lunar bloqueou os sinais de rádio da Deep Space Network, deixando os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen em total isolamento técnico com a Terra.

O silêncio foi quebrado com um espetáculo visual: o Earthrise (nascimento da Terra). Ao emergir da sombra lunar, a tripulação testemunhou o nosso planeta azul a subir no horizonte da Lua, um momento capturado em fotografias de alta resolução que já circulam como os novos ícones da era espacial moderna.

Recorde histórico: Mais longe do que a Apollo 13

Um dos objetivos técnicos mais aguardados era a quebra do recorde de distância. A Artemis II atingiu o ponto mais afastado da Terra às 19:07 EDT, alcançando os 406.771 quilómetros (252.756 milhas). Este valor coloca a tripulação cerca de 6.600 quilómetros mais longe do que a marca estabelecida pelos astronautas da Apollo 13 em 1970.

O feito não é meramente simbólico. Valida a capacidade da cápsula Orion em sustentar a vida humana em ambientes de radiação profunda e isolamento extremo, preparando o caminho para futuras missões a Marte. O canadiano Jeremy Hansen tornou-se no primeiro cidadão não americano a viajar tão longe no cosmos, solidificando a cooperação internacional deste programa.

Ciência em tempo real: O lado oculto observado por humanos

Ao contrário das missões robóticas, a presença humana permitiu uma análise descritiva imediata. Os cientistas no Johnson Space Center, em Houston, descreveram a experiência como “eletrizante”.

  • • Identificação de crateras: Os astronautas identificaram e sugeriram nomes provisórios para pequenas crateras não catalogadas na face oculta, utilizando tablets e sistemas de comunicação de última geração.
  • • Geologia lunar: Foram analisadas variações de cor e textura em áreas próximas ao terminador (a linha que divide o dia e a noite na Lua), focando-se na história vulcânica do satélite.
  • • Eclipse Solar Espacial: Entre as 20:35 e as 21:32 EDT, a tripulação testemunhou um eclipse solar a partir do espaço. O Sol desapareceu atrás da Lua, permitindo aos astronautas estudar a coroa solar – a atmosfera externa do Sol – sem a interferência da atmosfera terrestre.
  • • Monitorização de Impactos: A tripulação procurou ativamente por “impact flashes”, flashes de luz causados por pequenos meteoroides a embater na superfície lunar, um dado crucial para a segurança de futuras bases permanentes.
Testes de sobrevivência e sistemas de vida

A missão Artemis II serve como o teste final antes da aterragem humana prevista para a Artemis III. Durante o voo de regresso, que deverá durar cerca de quatro dias, a tripulação continua a testar sistemas críticos:

  • • Controlo Manual: O piloto Victor Glover realizou manobras de proximidade para testar a agilidade da Orion.
  • • Suporte de Vida: Testes rigorosos nos depuradores de dióxido de carbono e na primeira casa de banho de longa distância da NASA.
  • • Preparação de Emergência: Os astronautas realizaram exercícios de colocação de fatos espaciais a meio do voo para simular cenários de descompressão.

A cápsula Orion está agora na sua trajetória de regresso, com a amaragem (splashdown) prevista para sexta-feira, 10 de abril de 2026, no Oceano Pacífico. O sucesso deste sobrevoo confirma que a tecnologia atual é capaz de levar humanos de volta à Lua com uma precisão e capacidade científica nunca antes vistas.

Luís Martins; WiN
Imagens NASA

Adicione a Impala como fonte preferida google share