Euribor em escalada: Juros batem máximos de mais de um ano e pressionam famílias

As taxas Euribor a 6 e 12 meses atingiram máximos de mais de um ano em março de 2026. Saiba como esta subida impacta o seu crédito habitação e o que esperar do BCE.

Euribor em escalada: Juros batem máximos de mais de um ano e pressionam famílias

As taxas Euribor registaram uma subida acentuada em todos os prazos principais, atingindo valores que não eram vistos há mais de um ano. Este movimento reflete a ansiedade dos mercados financeiros face à incerteza geopolítica e à persistência das pressões inflacionistas na Zona Euro. A subida mais expressiva ocorreu nos prazos a seis e a 12 meses, os mais utilizados em Portugal para o cálculo da prestação da casa.

Novos valores de referência no mercado interbancário

Os dados mais recentes indicam que a tendência de descida observada no final de 2025 foi subitamente invertida. A evolução diária das taxas fixou-se nos seguintes patamares:

  • • Euribor a 12 meses: Subiu para 2,929%, marcando o valor mais alto desde setembro de 2024.
  • • Euribor a 6 meses: Fixou-se em 2,589%, um máximo registado pela última vez em janeiro de 2025.
  • • Euribor a 3 meses: Avançou para 2,178%, mantendo-se como o prazo menos penalizado, mas ainda assim em rota ascendente.

Este agravamento surge num momento em que o Banco Central Europeu (BCE) optou por manter as taxas diretoras inalteradas na última reunião de 19 de março. Contudo, o mercado já antecipa que a redução da inflação poderá ser mais lenta do que o previsto, o que retarda novos cortes nos juros.

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Impacto direto no orçamento das famílias portuguesas

Em Portugal, a subida das taxas tem um efeito imediato no crédito à habitação com taxa variável. Segundo dados do Banco de Portugal, a Euribor a seis meses é o indexante mais comum, representando quase 39% do stock de empréstimos. As famílias com revisões de contrato agendadas para o próximo mês deverão enfrentar um aumento nos encargos mensais.

A associação Deco Proteste já emitiu um alerta sobre este cenário. As estimativas apontam para que, num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%, a prestação possa subir cerca de 13 euros mensais em comparação com o mês anterior. Este aumento acumulado coloca pressão adicional no poder de compra dos consumidores portugueses.

O papel do BCE e as previsões para 2026

A próxima reunião de política monetária do BCE, agendada para o final de abril em Frankfurt, será decisiva. Embora as projeções iniciais para 2026 apontassem para uma estabilização da Euribor em torno dos 2%, os recentes conflitos internacionais e a volatilidade nos preços da energia alteraram as perspetivas dos analistas.

Muitos especialistas admitem agora que os juros possam permanecer em níveis elevados por mais tempo para garantir o controlo da inflação. Para quem procura soluções para mitigar este impacto, a transferência de crédito ou a renegociação para taxas mistas surge como uma alternativa cada vez mais procurada no mercado nacional.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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